Hoje é Domingo – dia semelhante a todos os outros dias dos meus dias de simples mortal ex-extremado destemido trabalhador dos poços de petróleo no meio do mar, presentemente reduzido a um far niente tão ou mais mortalmente perigoso que o exalar de H2S pela boca escancarada de uma mesa rotativa. Acompanhado, como sempre, da minha +quetudo, subi esta manhã a chuvosa, nevoenta e fria mas sempre maravilhosa serra da Arrábida em andamento lento e meditativo, arranhando prazeirosamente enquanto conduzia, a costura da perna do jeans dela, como se harpejasse as cordas da “outra”…
E ela ali está agora, ao alcance do admirar do meu olhar – mudo e respeitoso olhar! O instrumento guitarra que estou a anos-luz de dominar ao nível a que me atrevo imaginar dominar. Estudo acordes que a minha mão não logra alcançar, digito exercícios de solos impossíveis para meus artríticos e emprerrados dedos, comandados por um cérebro que julgo reduzido a meia dúzia de heróicas estoicas remanescências neuronais, as quais bombardeio a cada momento com pentatônicas que sempre acabam em frustrantes cacofônicas… Voilà!
Frustrado por insuportável e vexante sentimento de insuficiência neuronal, insisto todavia e prossigo no uso dos energéticos suplementares que logro separar e extrair das minhas próprias vaidades, para auto alimentar-me, autoalimentando meu ego. Por isso eu sonho com mais fancy guitars que eu possa pendurar nas paredes do studio. Isso é, em última análise, um alimento para as tais minhas vaidades, enquanto tento convencer-me a mim próprio e as pessoas do meu núcleo, de uma hipotética proficiência musical que na realidade atualmente não possuo…
Deixe sua opinião