Tia Amelinha era, tal como sua mãe, minha avó Preciosa, uma mulher franzinita de aparência frágil mas de surpreendentes reações de fortes a fortíssimas, que raramente aceitava levar desaforos para casa. Ela ajudou na minha criação, num período de agudos problemas familiares de saúde e resultantes impactos econômicos e por isso conservo páginas sem conta de recordações de infância em que ela é muito presente. Procurei descansar o espírito há dois dias atrás, espraiando meu olhar pelas belíssimas serranias em torno daquele hospital em Vila Real de Trás-Os-Montes, buscando na Natureza a conformação para a inevitabilidade da finitude, ditada pela mesma Natureza que tanto os olhos e a alma delicia. Tia Amelinha franzinou-se a um fio, com sua vida por um fio, ligada a tubos e máscara de oxigênio. Restam as recordações que fluíam enquanto admirava as profundezas do vale do rio Corgo.
Agora chegou a temida nova: Tia Amelinha partiu, finalmente…
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