Cansados, olhamo-nos em muda recapitulação de um duro dia vivido em meio a emoções fortes e mais de oitocentos quilômetros rodados no nosso pequeno C3. Filtramos os eventos, a reunião dos primos raramente vistos, as tradicionais cerimônias fúnebres na Capela, seguindo-se a missa de corpo presente na nave principal da gigantesca e bela Igreja do convento de Santa Maria de Salzedas, com seus quase mil anos de construida, o lúgubre cortejo com tanta gente da aldeia em silenciosa caminhada pelo longo e íngreme caminho calçado a granito polido por gerações, em direção à derradeira morada, no monte da Senhora da Piedade.
“Não quero nada daquilo”, disse, quebrando o silêncio; “Cremado sem cerimoniais, por favor; Sem missas, sem encomendas filsóficas ou religiosas. Depois, soltem as cinzas ao vento, preferencialmente no mar.”
Dito isso, rendidos, deitamos e dormimos, enfim, já alta madrugada…
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