
Se o tema de alguma conversa for vinhas, o que emerge na mente é a inesquecível infância e as férias plenas de recordações, diversão e nem tão poucos medos, nas vinhas do severo avô Oliveira, debruçadas sobre os sucalcos esculpidos a braço nas acidentadas cercanias de afluentes e subafluentes do rio Douro! Setenta anos depois, aqui, nesta pequena vinha em topografia muito menos acidentada ao sul do Tejo, as videiras continuam a exigir os mesmos procedimentos, tratamentos e preocupações daquela época. O não usual, é que o mesmo homem que poda, enxofra, sulfata e acaricia todas essas fiadas de plantas viníferas, também projeta, constroi, e ergue sozinho, a ferro, fogo, imensa paciência e paixão, essas estranhas estruturas com que escuta longínquos sinais do espaço, ou bem mais terrenos sinais de voz e morse entre estações de rádio, usando a superfície lunar como reflector. O viticultor cientista, de admirável e aparentemente enesgotável conhecer eletrônico, que tudo produz com suas próprias mãos e nada compra feito salvo componentes de eletrônica, é também um artista na fabricação metalo-mecânica. Confesso-me orgulhoso por ser esse fulano tão especial, meu cunhado…



