Viver e sobreviver das Artes é difícil, porque sempre foi mesmo muito difícil; E se, como era costume dizer-se, “Viver é só por si uma Arte”, resulta, a meu ver e sentir, ser a nossa vida um gigantesco palco onde podemos, bem ou mal, representar o que pretendamos e sejamos capazes de incorporar, na tentativa de agradar a quem esteja disposto a pagar, garantindo-nos a próxima refeição. E assim vamos, ao longo da vida, fazendo de operário ou gerentão, faxineiro ou doutor, abnegado professor, dono de pé-sujo ou próspero comerciante, dono de circo ou só palhaço, ou mesmo um desses fulanos assustadores, tais como um desalmado cobrador de impostos ou um não menos desalmado e desonesto político. Contudo, no caminho de todos, de todos sem exceção, o inevitável declínio surgirá…
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Nesse imenso palco ao longo da vida te dispões
Dans la grand scène sob os projetores te expões
ante um respeitável público, que implacável será!
Se medíocre ou ruim julgam teu desempenho,
ou se por cansaço de súbito te falta empenho,
do frustrante insucesso teu público te não livrará…
Mas, quando agrades, os focos da ribalta brilharão,
com aplausos retumbantes e elogios te brindarão,
prestígio e recompensas quiçá lograrás auferir;
E essa comédia de vida ao longo da vida encenarás,
das vantagens dessa vida na vida te beneficiarás,
até que o ocaso da vida na vida começa a intervir…
Tua dinâmica de palco vai perdendo valor
Tua voz diminui em intensidade e ardor
Lâmpadas vão fundindo, sem reposição…
Lentamente, as sombras baixam sobre a cena.
Sem aplausos, a alma como que se apequena
e, conquanto ela pareça resignada e serena,
a retirada de cena atormenta o teu cansado coração…
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