
Início da madrugada curitibana e os metálicos fortíssimos da guitarra amplificada através de efeitos de distorção, seguiam o absoluto e grave caminho das harmônicas batidas, precisas e bem definidas do excelente contrabaixo, enquanto a voz do crooner se sobrepunha a pleno pulmão e eficiente sistema de som. Tudo isso, envolvido num envelope rítmico riquíssimo jorrando das baquetas de um baterista de qualidade admirável!
No meio daquele temporal harmônico e de percussão de altíssimos decibéis contido no espaço relativamente exíguo do estúdio, lá estava eu, mero espectador-ouvinte-acompanhante do meu genro, que pilotava a guitarra mais toda aquela parafernália de pedais seletores de boosters, vibratos e multiplosefeitosoutros…
Nos meus remotíssimos tempos de guitarrista amador de fim de semana, não havia como sequer imaginar que um dia se faria rock’n roll heavy metal de efeitos estridentes e ainda assim conservando musicalidade e arte. Covers que eramos dos melodiosos “Shadows”, dos beatles e outros grupos desse tipo, com incursões pelo rock’n blues da época, sem estridência e com mais moderados decibéis, tive dificuldade em adormecer, ainda sacudido pela performance de quatro puros amadores de surpreendente qualidade, brincando num estúdio de gravação…
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