A insanidade real é tão imensamente superior àquela que, com frequência, me habituei a encontrar pelas esquinas do meu mundo interior, que finalmente escolhi abandonar os meus canteiros pessoais de insanidade, com tanto carinho cultivados ao longo de vários anos. É que, concluí, a graduação da insanidade que cultivo é tão baixa, que me deixa envergonhado.
Tenho por insano, como exemplo, o meu súbito desejo de voltar no tempo e achar-me a comer cebolinhas novas acabadas de arrancar da terra, nelas fazer vários talhos em cruz, polvilhar com sal e comer acompanhando com boroa de milho, queijo de cabra bem seco e duro e vinho tinto. Salivo e tenho dificuldade em livrar-me do tal desejo, que não sendo irrealizável, é pouco recomendável para as pressões sanguíneas.
Com as limitações físicas próprias dos que viram três quartos de século de vida, o meu sistema deveria contar com um modo automático, para obstar-me dos insanos e irrealizáveis sonhares que resultam, em ultima análise, em uma sensação de frustração e menos valia.
Aqui em Curitiba, eu continuo seguindo as regras do verão carioca. Não aposentei bermudas e camisetas, porque não trouxe roupa adequada. Isso foi insano, porque o tempo está esfriando, deverei aqui permanecer por mais um mês e, para completar, eu estou bastante gripado…
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