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Archive for Abril, 2019

Destinos

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Pensamentos voam à velocidade da luz. Comparando, a nave que me transporta apenas paira, enquanto observo os holofotes do céu iluminando e como que marcando nosso caminho para aquele terreno destino. Destinos geográficos são físicos, bem definidos, matemáticos, sistemáticos. Destinos do pensamento são complexos, de coordenadas indefiníveis porque, este pensamento que chamo de meu, é quase sempre errante e, frequentemente, delirantemente impossível.

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A insanidade real é tão imensamente superior àquela que, com frequência, me habituei a encontrar pelas esquinas do meu mundo interior, que finalmente escolhi abandonar os meus canteiros pessoais de insanidade, com tanto carinho cultivados ao longo de vários anos. É que, concluí, a graduação da insanidade que cultivo é tão baixa, que me deixa envergonhado.

Tenho por insano, como exemplo, o meu súbito desejo de voltar no tempo e achar-me a comer cebolinhas novas acabadas de arrancar da terra, nelas fazer vários talhos em cruz, polvilhar com sal e comer acompanhando com boroa de milho, queijo de cabra bem seco e duro e vinho tinto. Salivo e tenho dificuldade em livrar-me do tal desejo, que não sendo irrealizável, é pouco recomendável para as pressões sanguíneas.

Com as limitações físicas próprias dos que viram três quartos de século de vida, o meu sistema deveria contar com um modo automático, para obstar-me dos insanos e irrealizáveis sonhares que resultam, em ultima análise, em uma sensação de frustração e menos valia.

Aqui em Curitiba, eu continuo seguindo as regras do verão carioca. Não aposentei bermudas e camisetas, porque não trouxe roupa adequada. Isso foi insano, porque o tempo está esfriando, deverei aqui permanecer por mais um mês e, para completar, eu estou bastante gripado…

 

 

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Despertar

Aquela luz na escuridão

que tão brilhante se via

corpo errante se alumia

em misterioso clarão…

…Mas clarão algum se via na madrugada do meu despertar de olhos esbugalhados tentando enxergar errantes corpos, que houvessem logrado materializar-se apeando-se dos meus mal sonhados dormires diretamente no nosso quarto. A unidade de ar condicionado, que neste verão tem sido responsável por violentas mordidas no combalido orçamento, lá continuava seu ronronar…

Depressa esqueci mais um dos novos sonhos sem pés nem cabeça que teimo em descrever, mas que raramente me atrevo a postar. É domingo e amanheci numa clínica acompanhando a minha maisquetudo para um programado check up. Domingo, aprendemos, podem-se conseguir reduções muito significativas em exames tais como, e.g., o TAC (tomografia computadorizada).

Para ocupar a relativamente longa espera, dei continuidade à leitura de “A Sibila”. É, na prática, um estudo, este texto de Agustina Bessa-Luis na sua forma original! Em que pese a dificuldade inicial que senti na identificação e colocação dos personagens ao longo dos primeiros capítulos, o que de certa forma tumultuou a leitura, o livro foi paulatinamente cativando o meu interesse e admiração ao ponto de me surpreender emocionado! Quanto à menina ou senhora que adquiriu o volume em primeira mão, parece ter-se dado muito mal; Suas anotações a lápis não passaram da página 60, sublinhando a frase “…Era uma proprietária madurona, alambicada de fidalguias…”. É óbvio que a criatura desistiu antes de completar o primeiro quarto do livro!

 

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Enfado

Iniciei este texto lamentando minha falta de paciência comigo próprio, mas desisti, apaguei e reiniciei lamentando minha falta de paciência comigo próprio. É isso: O “loop” de quem não tem a menor ideia do que fazer com as ideias menores que acorrem, laboriosas, levantando muralhas a possíveis ocorrências mais produtivas. Quando fico esgotado de pelejar para abrir brechas nas tais muralhas, ofereço-me uma pausa e leio mais um capítulo de “A Sibila”. É que, reconheço, o texto de Agustina não é para quem está sem paciência…

 

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