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Archive for Março, 2019

Sibila

Hoje é sexta, na iminência de entrarmos na derradeira semana de março, do derradeiro ano desta década. Aflorou-me a lembrança de que os que eram bebês no momento do inferno do WTC, estão entrando ou até já entraram na universidade, sendo esse e outros eventos do início do milênio, para esses jovens, nada além de histórias escritas na História. É claro que eu realizo estar a fazer chover no molhado, mas apeteceu-me falar porque comprei um livro escrito e publicado em 1953 e de repente me senti, de forma ultrarrealista, ao tempo da publicação com os meus nove anos num daqueles dias mais comuns, saindo para a minha escola carregando a bolsa com a lousa, as penas de ardósia, os lápis e demais itens. Parece que foi hoje de manhã!…

O livro, que comprei no Sebo, ou, em bom lusitano, no Alfarrabista, é “A Sibila” de Agustina Bessa-Luis, que procurei depois que Adalberto De Queiroz compartilhou uma excelente resenha escrita por Euler de França Belém à Biografia de Agustina, de Isabel Rio Novo, publicada no Jornal Opção. Em adição aos interesses do texto – ainda estou no inicio – divirto-me com as frenéticas anotações da compradora original do volume, provavelmente estudante de literatura, visivelmente tumultuada com a profusão de termos e frases regionais, além de frequentemente substituir acentuação original, sentindo-se incomodada com os casos de acento agudo em vez do circunflexo usado na grafia brasileira, cruzar o “H” da palavra Húmido e outras “correções” inerentes ao seu aprendizado do idioma…

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O FB lembra-me que há três anos, eu escrevia nas minhas Mukandas:
 
” Sendo o futuro nada mais que uma hipótese diluída nas névoas do caminho ainda por percorrer, o que restará para ser vivido, pela lógica da minha própria lógica, deveria ser sorvido e saboreado a cada nano-segundo, como se fosse derradeira a próxima sístole do meu coração. Mas isso não acontece e, dir-se-ia, acabo por levar muito a sério o meu outro lado disposto a continuar a brincar de imortal…”
 
O post foi redigido depois que encontrei um recado-advertência da Nina colado no monitor, com a citação: “Agora que tenho tempo, descubro que já não tenho”.
 
Três anos depois, o tempo parece haver envelhecido mais depressa que o tempo real. Aliás, o agora Imortal da Academia Goiana de letras Poeta Adalberto De Queiroz, comentou esse post citando Crísias num fragmento pré-socrático: “Seguindo a sombra, o tempo envelhece depressa”

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Amar o medo

Esquerda, direita, um, dois…

Um, dois, feijão com arroz

Caminhar no calçadão

faz muito bem ao coração

caminhar acelerado

deixa-me bem humorado

Mas ela tá d´ovo virado

D´ovo virado não dá não

faz muito mal ao coração

Eu estou com medo dela

mas de mâo dada com ela

 

Deu vontade de mijar…

vou pra casa, vou voltar.

Cauda entre as pernas voltei

e o medo dissimulei…

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Viver é…

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Todos, exceto eu, parecem ter na ponta da língua a definição da palavra “Viver”, que é uma das palavras pequenas, de cinco letrinhas apenas, sinônimo de “Respirar”. Dizem que tem muitos outros sinônimos que levam à tal definição, mas as dúvidas me calam. Ensinem-me!

 

Perguntaste-me noutra hora

Se eu sabia o que é viver!

Confuso eu fui-me embora

Sem conseguir responder.

 

E responder não poderia

Porque até hoje eu não sei…

Se mais confuso eu ficaria

e definir eu não conseguiria,

perdoa-me, mas não responderei…

 

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Reencontros

Minhas mal-humoradas reações aos conteúdos do Face Book têm vindo num crescendo, acercando-se da probabilidade de me decidir por anular a minha página. Eis que neste dia, terceiro do mês de Março do ano 19 do terceiro milênio, um feliz reencontro familiar após dezenas de anos de separação começou a materializar-se, graças a essa mesma rede social onde o ódio e a intolerância conspurcam os caminhos comuns nos quais, afinal, ainda é possível encontrar respeito, amizade e amor, em bolsões contendo o que de melhor têm os remanescentes bípedes dotados de uma alma.

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Do fascismo

Fascismo sempre foi borrão simétrico. Suas particularidades cerceadoras de liberdades fundamentais, autoritarismo arbitrário, estado policialesco, culto à personalidade, espalham-se e espelham-se sem qualquer diferença, a bombordo e a estibordo.

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Envelhecer…

O cenário é uma mesa de cozinha, laqueada, imaculadamente branca. Sobre ela, duas toalhinhas com morangos bordados, meticulosamente feitas por mãos de fada. Dois pratinhos de sobremesa continham, cada um, um único pãozinho caseiro pequeno. Sentados frente a frente, o casal já setentão mas de aparente boa saúde, ia comendo seus pãezinhos de forma paulatina, migalhinha por migalhinha. Ambos pareciam encarar a extrema frugalidade do desjejum com a naturalidade de quem já se acostumou, resignou e consegue dissimular o provável mau humor. Enquanto sorvia seu copo de café com leite, a mulher exprimia em curtas frases seu acordo ou desacordo sobre os últimos atos e desacatos dos fantásticos animais políticos, lá onde eles podem ser encontrados. O homem anuía com lacônicos “uhum – aham” enquanto sorvia sua caneca de café preto sem qualquer tipo de adoçante. Não fazia caretas ao café amargoso que gostava, nem aos assuntos políticos tão pouco do seu gosto e tão do gosto da esposa. Terminado o café e a pequenina peça de pão, o homem levantou-se para, diligentemente, passar o seu pratinho e sua caneca por água.  Foi aí que o mau humor empanelado se soltou: “Tu não me dás a mínima importância!” “Tu nem notas que eu existo” “tunãomedásvalornhenhum!” “Tu te alheias na internet com os fones de ouvido…” “Mas”, tenta o velho argumentar: “tu também te alheias na internet e o som do que eu gosto iria interferir no que tu gostas!…” “Mas eu te chamo e tu não escutas!”…

Moral da estorinha: Por falta de experiência, pois nunca envelhecemos antes do envelhecimento, nós não sabemos muito bem como nos devemos comportar no dia a dia dessa porra do envelhecimento.

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Momentos

Descalcei e apresentei meus pés à profissional, para o tratamento habitual de unhas e calosidades. Seria uma meia hora relaxante, não fora aquele malfadado e profundo calo que carrego pela vida fora bem na planta do pé esquerdo. Seu tratamento equivale a uma sessão de tortura. Ainda assim, deixei que meus pensamentos fluíssem para que, dentro do possível, eu os filtrasse e deles separasse os que tinham minimamente a ver com a realidade do meu momento. E eu, concluo, já tive muito melhores momentos…

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