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Archive for Fevereiro, 2019

Caligrafia

Sheaffer

Enquanto descartava dúzia e meia de esferográficas, marcadores de feltro e similares já sem uso e tomando espaço útil, achei a minha velha, esquecida e abandonada Sheaffer. Tomei-me instantaneamente de amores pela caneta que foi minha ferramenta de escrita em tempos pré-cibernéticos. Desmontei e limpei carinhosamente cada um de seus componentes e, aproveitando uma saída, despendi 30 pratas num tinteiro “Piloto” de origem japonesa. Mas acabou em decepção, porque o sistema de carregamento por vácuo está comprometido pela degradação das borrachas. Mesmo assim, deu para experimentar um cursivo e concluir que o meu skill caligráfico perdeu-se no tempo…

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Optei, após a nem tão festejada aposentadoria, enveredar por intrincados labirintos, que acabaram confundindo meus mais íntimos desígnios. Releio meus textos e deparo-me com a surpreendente atualidade onde a atualidade resultou tão mais surpreendente porque tão mais cruel. A vontade de voltar confronta-se com o medo dos belicosos meandros das redes pouco sociais, que se junta ao reconhecimento de que me falta, afinal, talento criativo. Tempos atrás, eu escrevia:

 

“ Singularidades

 

Quasa insociável e permanentemente ensonado, enxergo-me com as minhas vontades assaz debilitadas, porque sei-as parcialmente desabilitadas.Os hobbies que tão fortemente me hão propelido, perderam seu espaço para a irresistivel atração que me arrasta para a antecâmara onde um caleidoscópio carregado de sonhos que reconheço como inúteis e mofados sonhos do passado, intermeados por foscas e ininteligíveis imagens do futuro, me é posto à disposição. Oponho-me tenazmente, é certo, mas a tenacidade dessa oposição parece carecer de mais aditivos energéticos.

 

Poderia até resvalar para a depressão, não fossem três estacas que me têm providenciado boa sustentação, a saber: A Mulher-Maravilha, o trabalho e o meu “outro eu”. Da Mulher-Maravilha eu tenho dois olhos como-há-só-dois que me seguem incessantes, hora feitos reluzentes e cristalinas esmeraldas enternecendo a minha alma, hora virados em contundentes e incontestáveis fontes de  força faiscante em  tons de cinza-quase-branco, que tenho o bom senso de respeitar.  O trabalho, além de fundamental no sentido econômico, eu preciso quanto mais não seja, para culpar pela não materialização de projetos literários que na realidade é tão somente reflexo óbvio da minha incapacidade, falta de engenho e arte para o fazer. Finalmente o “meu outro eu”, por se tratar de um ser independente, extremamente crítico e insuportavelmente sarcástico em suas considerações nada lisongeiras sobre a minha pessoa, resulta uma séria barreira de contenção às minhas singularidades existenciais. “ …

…/…

 

…Agora, perdidos os benefícios do trabalho e havendo eu chegado ao ponto da quase eliminação física do meu opositor, as barreiras ficaram mais frágeis, como mais frágeis ficaram as forças e paciência da minha maisquetudo.

 

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