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Archive for Janeiro, 2018

Ah, Rio!…

de Janeiro a Janeiro,
venerei-te por inteiro,
por décadas da minha vida!
Mas agora resolvi deixar-te…
decidi as costas voltar-te
a ti, que me deste guarida!

Tempos difíceis, ó Rio!

Nem eu posso acreditar
vou friamente te abandonar,
ó cidade maravilhosa,
ou, enfim, outrora maravilhosa…
Lembrar-te-ei com carinho,
ao escutar bossa, chorinho
tua música tão gostosa…

Das barcas o vai e vem
rostos sem rosto que passam,
se cruzam, se ultrapassam
buscando quem está além…
Vozes cariocas na multidão
que contam piadas brejeiras,
escondem verdades inteiras
de mágoa e de solidão…

Irei deixar-te, ó Niteroi,
Gragoatá, Flexas, Icaraí
parte de mim fica por aí, olhaí!
Ainda nem fui mas já dói…
Já dói, já dói!

***

A gente anda, anda, anda…depois desanda!

Dos muitos lugares onde morei no decurso da minha vida, foi a cidade de NIteroi, área metropolitana do Rio de Janeiro, o nosso mais duradouro lar: Exatos trinta e cinco anos!

Ao longo de todo esse período fui, em relação à cidade e região do Rio de Janeiro, do deslumbramento e orgulho de nela viver, até à perplexidade presente. Afloram ainda aqui e ali flashes de paixão em relação a locais, monumentos e natureza; Diferente, porém, da paixão intrínseca e permanente que em mim a cidade noutros tempos gerava.

 

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Vereis, senhores, que ao contrário do que afirmais, não são os políticos seres desalmados. São eles outrossim providos de almas cuidadosamente treinadas e formadas para ocuparem as mais elevadas posições na pirâmide, de onde, entronadas omnipotentes almas-do-diabo, vos exploram, roubam e infernizam, até ao implacável momento em que, sendo eles simples e reles mortais, ao diabo sua miserável alma terão que devolver.

Vereis, senhores, que vós próprios entronastes esses trastes com o vosso descuidado e/ou mui servil voto. Valeria então dizer serdes vós os criadores de tão vis criaturas que dizeis desalmadas…

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Como é belo e suave o teu dormir!…

…e é melodiosa a tua respiração!

Quisera que as batidas do teu coração

o meu coração ainda lograsse seguir…

 

Um dia, há muito tempo, eu escrevi:

 

“Meu coração…

…só pode ser gêmeo do teu!

Vou jurar que, quando o teu peito está encostado ao meu,

os dois corações batem exatamente no mesmo ritmo…

Uníssonos e síncronos! Algo assim como…

Como se estivessem ligados por invisíveis fiozinhos elétricos,

cuja corrente os comandasse para que batam em paralelo,

desse jeitinho, sem sair do compasso!

Coração dependente, este meu coração

Irremediavelmente ligado ao teu…”

 

Meio da noite, desperto, escuto o uivar do vento

Deito de bruços, ouvido bom sobre a almofada

O que escuto é uma amálgama descompassada

do meu arrítmico coração o batimento…

 

Coração dependente, este meu coração.

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Ano Novo…

 

As trilhas de um novo ano nada têm de novo, aprendi. Esse aprendizado foi-me servido ao longo de muitos e muitos anos em que pude constatar que as trilhas da vida envelhecem conosco, tornam-se mais pesadas e pedregosas, resultando em caminhadas cada vez mais penosas…

O “Novo Ano”, é nada mais que um lapso de tempo no tempo, no decorrer do qual se repetirão o Bom, o Mau e o Terrível. Como sempre, uma boa parte do que nos tocar dessas três possibilidades terá muito a ver com as nossas próprias escolhas e opções. Outra parte será integralmente atribuída à fatalidade de um filosófico destino habitualmente dito “traçado” e a que vivalma alguma, por mais privilegiada que seja, logrará fugir.

O doloroso calo na planta do meu pé esquerdo está a dizer-me que no seu sítio permanece e lá permanecerá apesar do novo ano, e deixa claro que, de acordo com o meu destino gravado na base de dados da nuvem, me infernizará sem piedade nas minhas já tão sofridas caminhadas pelas envelhecidas veredas de setenta e quatro réveillons…

 

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