…E chegou ao fim esta missão que poderá ter sido a minha última. Deixei para trás uma gigantesca cidade engolida nas águas de um impensável dilúvio. Sabemos, ou pensamos saber que as forças da natura podem tornar-se violentas e incontroláveis. No entanto, sempre somos e seremos surpreendidos pelos elementos. Houston, locomotiva da indústria do óleo e gás, encontra-se paralisada afogada num desastre natural sem precedentes e de consequências sociais inimagináveis. Para nós, habituais visitantes, cíclicos “habitantes” e amigos desta inesgotável fonte de tecnologia do petróleo da qual sempre bebemos, é chocante constatar que o gigante é, afinal, fragilidade…
Enquanto voo por sobre o Atlantico de volta a Lisboa, o meu pensamento corre para as famílias de colegas, atuais e antigos, mas amigos queridos, todos eles e tantos outros ilhados pelas águas e em grave risco de se verem compelidos ao traumatizante abandono de seus lares e bens com tanto trabalho e esperança adquiridos.