
“…E assim, escoa-se o tempo pelos drenos desta vida…”
Enquanto assim pensava, retirava diligentemente da garagem o pequeno C3, assistido pela minha maisquetudo. Finalmente ela entrou no carrinho e, enquanto afivelava o cinto, lembrou:
–Agora sim, nós somos verdadeiramente companheiros. Há dois meses que não sei o que é sair de casa “sentigo”!…
Fiquei algum tempo em silêncio, aparentemente entregue à condução do carrinho. Pela minha mente, porém, fluía em alta velocidade a lembrança de décadas de ausência, de agruras e riscos das minhas batalhas nas bocas dos poços no meio do mar, em mais de metade perdida da minha vida familiar, reduzido a um mero visitante do meu próprio lar…
Apressei-me a afastar o passado e cutuquei a onça com vara curta:
–Mas também tivemos alguns desentendimentos desde então. Disse eu rindo.
–É verdade, brincou. –Mas nunca por minha culpa, porque eu sou muito boazinha!
“Leonina”, pensei, “pode até ser boazinha, mas aprendi que é sempre bom permanecer vigilante; Por isso, desta vez não esqueci seu aniversário!”
Esquecer o aniversário dela, o meu, os nossos, é coisa tão intrinsecamente minha quanto é característica dela jamais esquecer as datas importantes de todos os do nosso círculo, sejam ou não da família.
FELIZ ANIVERSÁRIO, NININHA!
Deixe sua opinião