
O tempo corre célere e dou-me conta de que já se passaram três semanas inteiras desde que chegamos à nossa velha e acolhedora terrinha! O balanço do que produzi nesse lapso de tempo é muito frustrante e até perigosamente estático, para quem há tão pouco interrompeu os hábitos cotidianos de uma vida de intenso trabalho. Dir-se-ia que foram três semanas de quase absoluto repouso em casa, até que a insuportável vaga de calor se afastasse. Finalmente o tempo esfriou para uma temperatura mais amena e gostosa, permitindo-nos comemorar o dia 30 de Junho, quinquagésimo quarto aniversário do início do nosso relacionamento, dando uma de gringos: Gastamos boa parte do dia em “Sightseeing Tours” por Lisboa!! Isto faz todo o sentido, porque passamos por muitos pontos pelos quais normalmente não passaríamos. A parte negativa de fazer esse tour num dia de trabalho, particularmente numa sexta feira, é que o tempo perdido no trânsito chegou a ser, para mim, exasperador.
Hoje, primeiro domingo de julho, o calor parece ter voltado. Duas semanas antes viajamos para as cercanias de Grândola, “Terra da fraternidade” no Baixo Alentejo, convidados para passar o domingo com amigos que ali têm uma pequena propriedade. A região é pavorosamente quente e seca, mas, para além da cortiça, produz vinhos e azeite de altíssima qualidade. Produz também poetas de alma imensa como Florbela Espanca e cancioneiro popular tradicional único de grupos cantando “à capela”, hoje considerado patrimônio imaterial da humanidade, em longos serões generosamente regados em tabernas típicas.
Verão do Além -Tejo
Nos caminhos do Alentejo
é sombra e água o que desejo,
porque aqui o calor não é léria
e enfrentá-lo, é coisa bem séria…
…E nos caminhos inteiros,
há exuberantes sobreiros
muitos deles desnudados!
E há secura na erva e capim,
gravetos mil, feito estopim,
para os fogos ateados.
E há casinhas bem branquinhas,
de janelas tão pequenininhas
que parecem até brinquedo!
Mas elas têm cada paredão!…
capaz de isolar este calorão
e dentro delas ficar quedo!…
E há poetas nessas casinhas,
que na quietude e solidão
fazem versos tão ridentes
a esta terra e às suas gentes
que os cantam com paixão…
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