
Sou e não escondo, nascido na invicta e belíssima cidade do Porto. O que equivale a dizer que nada me impede ou incomoda de em qualquer momento afirmar-me natural do “Poarto, cum carailho!…” Isto por ser o Porto, por tradição, uma cidade onde aprender e aplicar palavrões desde a mais tenra idade é, em paralelo com a feijoada com tripas, parte importante no crescimento saudável de um verdadeiro filho da terra, carago!
Amarelado com uma desgraceira desastrosa chamada “Ponte das Barcas” durante a invasão francesa, o portuense tratou de solucionar o problema de travessia do Douro: Desde 1843 até aos dias de hoje, fez construir sete pontes das quais só a primeira, tipo pêncil foi desmontada. Por conseguinte, cruzar o rio Douro de carro, de comboio, de metropolitano ou a pé mesmo, é só facilidade e ainda desfruta de uma vista esmagadora de tão bela.
A minha velha cidade ficou nova e de tal forma atrativa, que fervilha de gringos o ano inteiro. Estreitas vielas onde outrora havia putas esfolando cabritos na madrugada, agora são passagem constante de turistas procurando locais pitorescos, restaurantes típicos de pratos tradicionais ou para simplesmente comer uma francesinha (não se trata de comer uma francesa) e tomar excelente vinho. Visitar a minha cidade, é sempre uma diversão especial para a minha mais-que-tudo, porque eu vou recordando em voz alta todos os lugares e recantos por onde andei e onde aprendi os mais requintados e exclusivos vocábulos…

