
O celular gritou a chegada de uma mensagem no whatsapp, interrompendo a algazarra atroz do meu silêncio, que até agora apenas de forma suave era aqui e ali quebrado pelo digitar no teclado, das ordens para as funções no Autocad. A mensagem era de um colega no descanso do seu fim de semana e continha um vídeo que me dispus a abrir para alegrar meu sábado de trabalho solitário. Rieu, no habitual e estrondoso ápice do seu gigantesco show, lançou no ar as notas singelas de “Amazing Grace”, geradas pelos violinos, flauta e instrumentos de fole . A enorme sala de engenharia completamente deserta e sombria iluminou-se, pondo a descoberto todos os seus e os meus fantasmas, que flutuaram até junto de mim para consolar-me no meu patético choro. Conto nas duas mãos os dias que restam para o meu farewell a este espaço bagunçado e a tal ponto familiar que, por antecipação, já sinto sua falta como uma severa perda…
Obrigado, carissimo!