De um fôlego só, li um pouco mais de metade do livro de Antonio Lobo Antunes, sentado na varanda do hotel. A leitura em nenhum momento me empolgou, mas, milagrosamente, fez dissipar-se um kafkiano sentimento de encontrar-me num processo de metamorfose para um réptil desmiolado. O milagre se deu porque répteis desmiolados não pronunciam de forma tão clara a expressão “Filho-da-puta”. Eu comprei o livro e tenho o direito de gostar ou, neste caso, de não, mesmo sabendo que serei taxado de réptil desmiolado. Sem ainda saber se o complexo de réptil tem alguma coisa a ver com isso, estou desde ontem com uma tosse persistente sem que esteja resfriado. Não me consta, no entanto, que os répteis tenham taquicardias, arritmias e mazelas similares, porque são, dizem os sapientes, de “sangue frio”. Tá aí! Vai ver que meu sangue está esfriando, ou congelando, congelando nas minhas veias, sei lá. Tudo isso é resultado deste crescendo no diabólico stress do nosso dia-a-dia de descomunais absurdos. O ambiente está contaminado e denso ao ponto de se ter de cortar à faca. O pior é que os meus braços já não mais aguentam brandir a faca. Eu vou desistir.
Tosse kafkiana
10/12/2016 por Nelsinho
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adorei sua crônica!
Olá Cissa! Que afastamento, minha amiga! Que saudade dos tempos em que nos blogs respectivos seguíamos com frequência as ideias e o poetar que a vida nos proporcionava…