“Estou enfastiado dos poetas. Dos antigos e também dos novos poetas. Para mim todos são superficiais, todos são mares esgotados”…”Poetas mentem demais” – Assim falou Zarathustra.
Mas Zarathustra também é poeta, mentiroso e fingidor. Eu também estou enfastiado e entediado de Zarathustra, a quem não mais suporto. Que fale, pois, à vontade, que eu faço ouvidos moucos e junto-me a todos os poetas, loucos ou não, mentirosos ou não, fingidos, dissimulados, desbocados. Fingir que minto quando não minto e mentir que finjo quando não finjo, é prerrogativa a que não abro mão. Ser desbocado faz bem à saúde mental: Foda-se Zarathustra!
E assim, já é sexta à noite! “TGF, TGF – Thank God it´s Friday!”! Salve, salve, noite de lobisomem. Mas aqui estou eu trancado num hotel, sozinho, lobidoso sem voz ou forças para uivar, sem a mínima vontade de encarar o mundo exterior. A verdade é que também não estou nada a fim de encarar meu próprio mundo interior, de insensata aridez, estranhíssimo e inóspito lugar. Leio, releio, treleio, bocejo desinteressado e durmo, durmo! Sou, pois, um inútil! Foi numa abstração inútil que a idade me tornou!
-Assim falei ontem à noite…
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