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Archive for Dezembro, 2016

Hoje…

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Hoje….
Quero-me ousado ou atrevido
Mesmo que isso não seja meu
Usar o que me não é permitido
Deixar criticar e não dar ouvido
Deixar que aflore um outro eu…
Hoje,
Quero tolerar-me no pior de mim
Resignar-me, resignado, resignado,
Porque eu sou mesmo assim
E assim serei até ao meu fim
E nada mais em mim será mudado…

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Escrever sobre o Natal é incorrer na probabilidade de escorregar no lugar comum de frases há muito feitas e exaustivamente repetidas ao longo das décadas nos cartões típicos da quadra, sejam eles familiares ou comerciais. Por isso eu prefiro ser direto e dizer que gosto das festas de Natal pela congregação da família, sem muita ênfase nas crenças e tradições. Só não gosto de receber e oferecer presentes. É das crianças e só das crianças a prerrogativa de receber presentes, penso. O resto é comércio exacerbado. Eu sei que precisa existir para garantir a ceia dos que do comércio tiram os proventos. Mas mantenho a preferência pessoal de que adoraria ver meu nome ignorado em listas de presentinhos brilhosos. Brilhosos e não raramente inúteis. E sabe? Eu vou mesmo ter a coragem de publicar este texto.

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Grita…

Grita meu corpo a cada espasmo da tosse, da tosse, da tosse que vai resistindo às drogas que ingiro dia após dia enquanto vou perdendo a confiança na sua eficácia. Detesto drogas. Sempre detestei  tomar drogas, mesmo que ditos simples analgésicos para aliviar uma dor de cabeça. “Ao Trabalho, pois!” – brado de mim para mim próprio, como usava fazê-lo nos tempos em que meu corpo e alma cegamente me obedeciam às ordens e diretivas. Debalde, porque aos brados, minhas células com sonolência respondem!  “À Carga! À Carga!” Grito em desespero como se estivesse integrante de uma companhia de cavalaria a pleno galope!  É tudo mentirinha. Eu sou agora, apenas e tão somente, um substrato. Substrato do cocô do pangaré que puxa a carroça do inimigo. Distraio-me relendo randomicamente passagens de Don Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas. Depois dou em tomar colheradas de uma batida de Balzac, Quental, Zola, Edgar Allen Poe.  Engasgo-me e perco a respiração.

Antonio Lobo Antunes, Psiquiatra e Escritor com uns trinta títulos de sua autoria, foi Alferes-médico lá pela região de Malange alguns poucos anos depois de eu haver arriscado a pele de armas na mão pelas matas do Inda, pelo Vale do Dange, pelos Canacassalas de tantos tormentos. Eu reagi mal e chamei-o de filho da puta, porque ele diz que retornou a filha para Lisboa por “não haver em Malange comida para bebê” e a menina estava “com a cor dos brancos de Angola”, o que eu considerei preconceituoso e metido a besta. Por esse mesmo tempo, a minha recém nascida crescia linda e saudável com as sopinhas recomendadas por gente maravilhosa e inesquecível como o Dr. Orlando de Albuquerque, viúvo da nossa querida Poeta Alda Lara, pelo Dr. Farrica e tantos outros valorosos brancos cor-de-branco-d´Angola.

É verdade que ando triste

Que essa tristeza persiste

Em tanto me atormentar

Mas é complexa a explicação

Dos motivos ou da razão

Da tristeza não me deixar

Tenho a gripe por culpada,

A tosse, a saúde fragilizada

Que corrói o meu humor

Mas é a vida que vai passando

Profundas marcas entalhando

No corpo, alma e até no amor…

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Tosse kafkiana

De um fôlego só, li um pouco mais de metade do livro de Antonio Lobo Antunes, sentado na varanda do hotel. A leitura em nenhum momento me empolgou, mas, milagrosamente, fez dissipar-se um kafkiano sentimento de encontrar-me num processo de metamorfose para um réptil desmiolado. O milagre se deu porque répteis desmiolados não pronunciam de forma tão clara a expressão “Filho-da-puta”. Eu comprei o livro e tenho o direito de gostar ou, neste caso, de não, mesmo sabendo que serei taxado de réptil desmiolado. Sem ainda saber se o complexo de réptil tem alguma coisa a ver com isso, estou desde ontem com uma tosse persistente sem que esteja resfriado. Não me consta, no entanto, que os répteis tenham taquicardias, arritmias e mazelas similares, porque são, dizem os sapientes, de “sangue frio”. Tá aí! Vai ver que meu sangue está esfriando, ou congelando, congelando nas minhas veias, sei lá. Tudo isso é resultado deste crescendo no diabólico stress do nosso dia-a-dia de descomunais absurdos. O ambiente está contaminado e denso ao ponto de se ter de cortar à faca. O pior é que os meus braços já não mais aguentam brandir a faca. Eu vou desistir.

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Estou enfastiado dos poetas. Dos antigos e também dos novos poetas. Para mim todos são superficiais, todos são mares esgotados”…”Poetas mentem demais” – Assim falou Zarathustra.

Mas Zarathustra também é poeta, mentiroso e fingidor. Eu também estou enfastiado e entediado de Zarathustra, a quem não mais suporto. Que fale, pois, à vontade, que eu faço ouvidos moucos e junto-me a todos os poetas, loucos ou não, mentirosos ou não, fingidos, dissimulados, desbocados. Fingir que minto quando não minto e mentir que finjo quando não finjo, é prerrogativa a que não abro mão. Ser desbocado faz bem à saúde mental: Foda-se Zarathustra!

E assim, já é sexta à noite! “TGF, TGF – Thank God it´s Friday!”! Salve, salve, noite de lobisomem. Mas aqui estou eu trancado num hotel, sozinho, lobidoso sem voz ou forças para uivar, sem a mínima vontade de encarar o mundo exterior. A verdade é que também não estou nada a fim de encarar meu próprio mundo interior, de insensata aridez, estranhíssimo e inóspito lugar. Leio, releio, treleio, bocejo desinteressado e durmo, durmo! Sou, pois, um inútil! Foi numa abstração inútil que a idade me tornou!

-Assim falei ontem à noite…

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imageAproveitando algumas horas livres antes de sair do hotel para o aeroporto, rodei algumas poucas milhas pela 59 para Norte até Humble, onde existe um Centro Comercial bastante atraente, o Deerbrook, que inclui lojões como Diller’s, Macey’s e outros mais. Fui assaltado pelo mesmo sentimento de cansaço e total desinteresse que experimentei semana passada durante uma visita à gigantesca, antiga mas sempre renovada Galleria. Recuei vinte anos no tempo, para recordar o meu total desbunde quando entrei na Galleria pela primeira vez. Queria dispor do poder de comprar tudo o que via e também o que não conseguia ver. Desta vez, a minha única atração e desejo foi para um impossível Tesla de US$85K!

Do outro lado da 59, entrei no Best Buy local e saí exatamente com a mesma frustração que senti quando estive numa Fry’s em Dallas há alguns dias: Nada do que vi exerceu sobre mim qualquer tipo de desejo. O meu interesse em tecnologia, reconheço, praticamente se evaporou, acompanhando um pavoroso desinteresse generalizado. Será o princípio do fim do (meu) mundo?
Sei que não é, porque mantenho o mesmo interesse pela minha mais-que-tudo. Ou será que a declaração de amor pela mais-que-tudo é resultado desta taça de cabernet? Amanhã, à chegada, os efeitos do cabernet terão evaporado e saberei se continua legítimo o meu interesse pela menina da minha vida.
Acho que vou tomar uma porrada…

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