
Oito horas da noite na Plaza Mayor de Salamanca, a temperatura está em agradáveis 16C, sem vento, sem chuva. Uma pequena multidão converge para a Plaza e arredores. As pessoas circulam, conversam, ocupam restaurantes, esplanadas, tavernas, cafeterias. Parecem felizes e despreocupadas e nós, igualmente felizes e despreocupados pelo menos no momento, a eles nos juntamos nessa congregação de felicidade e despreocupação, mesmo que aparente, mesmo que momentânea. Mas Salamanca é mesmo um lugar prodigioso. Um concentrado histórico transbordando cultura em torrentes ao longo das estreitas ruas que calcorreamos à sombra de graníticas construções contendo universidades, bibliotecas, centros de estudos. Inspiramos, deleitados, toda essa atmosfera de aparente excelência, enquanto fazemos jus à excelência comprovada das patas negras, das tapas, da cozinha mediterrânica. E do vinho, senhores, o bom vinho ibérico.
Neste ambiente, recuamos quarenta e oito anos nas nossas linhas de vida e demos as mãos, com os dedos bem entrelaçados, como se para confirmar que aqui continuamos. Vivos e unidos. Vivos, unidos, sobreviventes de tenebrosos acontecimentos nas ultimas décadas do século XX, adaptados às profundas mudanças operadas neste ainda mais tenebroso início de milênio.