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Archive for Outubro, 2016

Aniversário

relogio

Oito horas da noite na Plaza Mayor de Salamanca, a temperatura está em agradáveis 16C, sem vento, sem chuva. Uma pequena multidão converge para a Plaza e arredores. As pessoas  circulam, conversam, ocupam restaurantes, esplanadas, tavernas, cafeterias. Parecem felizes e despreocupadas e nós, igualmente felizes e despreocupados pelo menos no momento, a eles nos juntamos nessa congregação de felicidade e despreocupação, mesmo que aparente, mesmo que momentânea. Mas Salamanca é mesmo um lugar prodigioso. Um concentrado histórico transbordando cultura em torrentes ao longo das estreitas ruas que calcorreamos à sombra de graníticas construções contendo universidades, bibliotecas, centros de estudos. Inspiramos, deleitados, toda essa atmosfera de aparente excelência, enquanto fazemos jus à excelência comprovada das patas negras, das tapas, da cozinha mediterrânica. E do vinho, senhores, o bom vinho ibérico.

Neste ambiente, recuamos quarenta e oito anos nas nossas linhas de vida e demos as mãos, com os dedos bem entrelaçados, como se para confirmar que aqui continuamos. Vivos e unidos. Vivos, unidos, sobreviventes de tenebrosos acontecimentos nas ultimas décadas do século XX, adaptados às profundas mudanças operadas neste ainda mais tenebroso início de milênio.

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“Carne ou frango”? A pergunta, feita pelo aerogajo para inicio de um jantar servido às 01:00 da madruga, soou-me como se estivesse dentro de um avião de uma das companhias americanas e não na “minha” TAP, que até um ano antes eu defendia como uma das poucas que mantinham, na classe econômica, algum resquício do tratamento de outrora. Optamos pelo frango que, frangamente, estava ruim pra caramba. O arroz estava comestível, contudo, e havia um pãozinho – um pãozinho apenas isolado no meio da pequena bandeja! Alguém lembra dos tempos em que passava o cestinho várias vezes oferecendo mais pão? Comi o pudim para adocicar a minha madrugada. Na volta, embarcaremos com sanduíches, etecetera et al.
Sofro atrozmente nestes voos longos, pela minha total incapacidade para dormir. Leio, mas não entendo o que leio. Penso, sem perceber que penso e o que penso. Nulidade absoluta, é como me sinto após meia dúzia de horas de viagem. Na biblioteca do Kindle escolho releituras como exercício para o meu cérebro de mosquito – debalde: O meu cérebro parece perder para um mosquito…

Update: Este texto seguiu a minha recente mania de escrever em voo e retocar/revisar depois dos pousos, antes de postar. Porque o cérebro não havia voltado ao tamanho normal, deixei escrita uma inverdade, que a Nina não tolerou: Como me atrevi a dizer que a “nossa” TAP nos serviu um jantar na madrugada, se foi um desjejum que na madrugada nos foi oferecido?! Aqui fica a correção – pousamos em Lisboa às 03:00, hora de Brasilia.

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Turbulência

Esta coisa chacoalha feito peneira, aqui na cozinha. Assento 28A de um A320. Há alguns dias ocorreram algumas tonturas que imediatamente atribuí a uma provável volta das crises de labirinto experimentadas há alguns anos. Decorrida meia hora de voo sob forte turbulência de alto nível, nenhum efeito indesejável surgiu para além do incômodo natural habitual. Isto pode ter bons ou maus significados: 1-A crise de labirinto foi superada; 2- Não era crise de labirinto e nesse caso, como não sei o que poderá ser, opto por esquecer os dois dias em que andei com a sensação de que caminhava sobre algodão.

Eu não moro no município do Rio de Janeiro, nem sou eleitor. Há também a considerar a minha tão repetida aversão aos políticos de todas as tendências. Mas ontem minha atenção voltou-se para alguns posts da Cora (Ronai) e acabei sentindo o drama em que o carioca, sempre disposto a alvejar os próprios pés, arrumou nesta eleição para Prefeito da capital. Para escolher o menos ruim de dois no segundo turno, eles têm à disposição um Marcelo que poderá vir a ser um Freixo-da-Espada-à-cinta das esquerdas mais radicais e um Marcelo, da família dos Crivellas, brandindo radicalmente as Cristianas escrituras, que poderá tentar arrastar para dentro de um estado que se quer laico. O problema é mesmo complicado porque nós, os de fora mas que seremos afetados de muitas formas, não poderemos gritar: “O diabo que escolha!!”, porque desta vez, ele, o diabo, não irá mesmo querer se envolver…

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É Lógico!

Ultimamente tendo a dizer o que penso sem pensar muito no que vou dizer. E, neste momento, ocorreu-me dizer que 0+1=1. É uma sentença que ninguém é capaz de refutar. Isso deixa-me poderoso, cheio de razão. Animado, vou ainda mais longe e atrevo-me a arriscar a afirmação de que 1+1=2. Se ousasse dar algum palpite político sendo eu por mim próprio reconhecido como um desafeto das terríveis coisas políticas, estaria arriscado a ser contestado e até destratado. Mas eu, pelo menos neste momento, quero apenas ser um ser lógico com o poder de uma razão que é a razão do meu poder. Resolvo então dar mais uns passos em frente, defendendo com unhas e dentes que 1+2=3, progredindo depois nessa trilha de pedras lógicas para tropeçar no numero 5 e imediatamente dar de trombas com o 8, o 13, 21…

Se você acha que o meu caso é de insanidade lógica aguda, dê um like neste arrazoado.

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