
A costa à minha direita confirma que estou voando para sul. Volto à casinha em Niterói, sabendo que vou encontrá-la vazia. Vazia dela em pessoa, muito embora lotada dela em cada cantinho. Então, alegre ma non tropo, eu voo. E, enquanto voo, eu lhe perdoo por dela tanto ficar separado. Eu lhe perdoo por tanto ela me perdoar que dela tanto fique separado.No fundo não estou tão certo que haja perdão, senão simples conformação. Os anos correram céleres e ultrapassaram-nos na vida. A vida foi ficando menos viva, menos viva, ainda que viva. Acho que me perdi e não sei como continuar. A costa agora é montanha, mas sei que continuo rumado para sul, porque os meus sensores não detectaram nenhuma mudança de direção. Geograficamente não me perdi, mas este escrito ruma para lugar algum. Abandono-o, pois…
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