
“A Alma aqui não faz sombra no chão…” (Clarice Lispector sobre Brasília)
Eu também acho que aqui a minha alma não faz sombra, nem mesmo quando o sol penetra direto pela janela deste tubo alado, selado, lotado de outras almas sem sombra que voam para o mesmo destino. Meu destino é, porém e na verdade, um desatino, desatino, porque sinto-me aproado à recíproca da proa que desejaria de fato seguir. Isso faz de mim um fulano sem carácter que é incapaz de tomar, contra o tudo de alguns poucos todos, os rumos que lhe dariam relativa felicidade no restante do que resta.
Mas, pondero, se continuará sendo relativa a felicidade que espero nesse hipotético rumo inverso, preciso então relativizar as mais valias? Isso não parece fazer muito sentido, mas tudo em mim é assim – sem muito sentido.
A estridente voz na boca de ferro avisou do início da descida pro tal destino em desatino, quebrando minhas perigosas e estrambólicas lucubrações de sombria alma desprovida de sombra…
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