
Sei que ando silencioso demais, porque ansioso demais com algum (des) tempero de preguiçoso demais nessa mistura. Reconheço-me chocado com a volta à nave que me acolheu por tantos e tantos anos de dedicação à perigosa e desafiante atividade de extrair das profundezas o precioso Petra-Oil que hoje de tão desvalorizado não tem como pagar os altos riscos envolvidos. Chocado, porque sou, de ordinário, um fulano saudosista e sufoca-me o que vejo nas minhas digressões pelos recantos hora abandonados, estridentemente silenciosos, da plataforma que outrora fervilhava de atividade nas vinte e quatro horas do dia a dia.
Sinto-me ainda mais envelhecido, nesta envelhecida cápsula do tempo. A profusão de instrumentos de jurássica tecnologia analógica que tanta riqueza geraram ao longo de décadas acabam por deprimir-me, porque pararam parados no tempo. E parados, instrumentos eletro mecânicos deterioram rapidamente. A missão, todavia, é reverter o reversível, trocar o irreversível e fazer com que esta mole imensa de ferros flutuantes organizados numa máquina de produzir dinheiro, volte a produzir dinheiro, que significa emprego para centenas.
“Embarque
*
Voltei ao convés oscilante,
À estrutura flutuante, gigante!
À sensação de nunca haver saído,
De aqui dentro sempre ter vivido…
*
Da boca do dragão o fogo intenso,
Rasgando a noite em clarão imenso,
Iluminando as águas do profundo mar…
Fantasmagórica cena de mau sonhar!
*
O show do fogo deve continuar…”
(In “Retalhos do Caos”)
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