Acredito não ter uma ideia muito real do que seja o tempo. O espaço é curtíssimo entre o tempo vivido há exatos cinquenta e três anos e o dia de hoje. Lembro que há poucos instantes eu ainda ensaiava em fragoroso silêncio, as frases de efeito que esperava ter a oportunidade de proferir ao ouvido dela. E, temerariamente, fazia-o tendo a minha imagem refletida num espelho, conquanto tal reflexo nenhuma tranquilidade me transmitisse…
É vero que espelhos são perigosamente francos e jamais mentem, salvo quando, ao termo de tantas imperfeições nos descobrirmos, por mentirosos os tomamos.
Mas a minha Musa acreditou nos meus improvisos, porque, é claro, tudo o que havia ensaiado eu esqueci e, acredito que meio em dúvida, ela disse-me que sim, que aceitava namorar comigo! Hoje a minha Musa está aqui em Macaé, reclusa numa espécie de aquário envidraçado no sexto andar de um edifício com o único elevador avariado há quatro dias. E eu, abandono a minha Musa antes do nascer do Sol e para ela volto quando o Sol há muito se foi.
Musas, eu já disse, podem ser suscetíveis
Podem até por momentos ser irascíveis
Mas as musas são seres indispensáveis
Pois sem elas, somos mesmo imprestáveis…
PS: Eu te amo, Musa!
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