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Archive for Julho, 2016

Revival

Cápsula do tempo

Sei que ando silencioso demais, porque ansioso demais com algum (des) tempero de preguiçoso demais nessa mistura. Reconheço-me chocado com a volta à nave que me acolheu por tantos e tantos anos de dedicação à perigosa e desafiante atividade de extrair das profundezas o precioso Petra-Oil que hoje de tão desvalorizado não tem como pagar os altos riscos envolvidos. Chocado, porque sou, de ordinário, um fulano saudosista e sufoca-me o que vejo nas minhas digressões pelos recantos hora abandonados, estridentemente silenciosos, da plataforma que outrora fervilhava de atividade nas vinte e quatro horas do dia a dia.

Sinto-me ainda mais envelhecido, nesta envelhecida cápsula do tempo. A profusão de instrumentos de jurássica tecnologia analógica que tanta riqueza geraram ao longo de décadas acabam por deprimir-me, porque pararam parados no tempo. E parados, instrumentos eletro mecânicos deterioram rapidamente. A missão, todavia, é reverter o reversível, trocar o irreversível e fazer com que esta mole imensa de ferros flutuantes organizados numa máquina de produzir dinheiro, volte a produzir dinheiro, que significa emprego para centenas.

 

 “Embarque

*

Voltei ao convés oscilante,

À estrutura flutuante, gigante!

À sensação de nunca haver saído,

De aqui dentro sempre ter vivido…

*

Da boca do dragão o fogo intenso,

Rasgando a noite em clarão imenso,

Iluminando as águas do profundo mar…

Fantasmagórica cena de mau sonhar!

*

O show do fogo deve continuar…”

 

(In “Retalhos do Caos”)

 

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E la Nave va…

Nelson

Nelson grin

Deixado sozinho em casa, fotografei-me! Agora, sem ninguém para me vigiar, estudo-me no auto retrato com a mesma atenção que costumo empregar quando me observo nos espelhos. Só que nos espelhos eu não posso descolorir-me como o faço nas fotografias. Gosto muito de ver-me em preto e branco, porque as marcas do tempo do tanto de tempo que por mim passou, ficam um pouco disfarçadas. Confirmei também uma vez mais que tenho dificuldade em sorrir para a lente. Porque haveria eu de sorrir para uma lente que não tem ninguém sorrindo por detrás dela? Mesmo assim, com enorme esforço e muitas tentativas, eu abri um levíssimo sorriso tipo “foolish grin”…

A minha fase de ter uma morada em Macaé e rodar pela BR 101 pelo menos duas vezes por semana terminou com a entrega do apartamento – redoma – green house ao seu dono. O meu velho Astra não mais fará o shuttle service que o desgastou nos últimos cinco anos e, por outro lado, eu perdi o mote de tantas crônicas de viagem. Agora, nova fase vai ser iniciada a partir da próxima segunda, quando voarei para São Salvador da Bahia de Todos os Santos, dando a partida para um período de trabalho ainda mais intenso, de sol a sol, de segunda a segunda. Parece que é coisa muito louca para um idoso, mas garanto que a coisa é muito mais louca do que parece.

Espero que pelo menos me dê matéria para fotografia e crônicas, já que à minha poesia nem eu próprio mais atribuo qualquer valor.

 

 

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Está tão serena, a minha madrugada!
Um tanto fria, mas nem tão fria assim…
Meus sonhos da noite em revoada,
partiram em grupo, feito passarada
e me deixaram assim, pensativo em mim…

E, de pensamento em pensamento,
repassei da vida tantas memórias…
Com o olhar posto no firmamento
lembranças correram como o vento
pelas minhas derrotas, minhas vitórias…

Terão minhas vitórias superado as derrotas?
Terá tudo por que eu passei valido a pena?
Se recomeçasse trilharia eu as mesmas rotas
com a mesma alma que sei não ser pequena?

Questiono-me, madrugada a fora, à claridade
que lentamente rompe a escuridão estrelada…
Decido-me enfim por isolar-me da vida passada,
posto que é no presente que mora a realidade…

Agora o Sol era já Rei inconteste, imperador!
Eu? Aqui estou, aquele mesmo madrugador
que prematuramente cansado irá trabalhar!

Posto que é no presente que mora a realidade,
iniciemos mais este dia e enfrentemos a verdade:
Permaneço vivo! E vivo, quero, sim, continuar!

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Desinteresse

Borocochô e sem vontades,

vejo-me sem vontade de rir,

muito menos de chorar,

que dizer de rir chorando

ou chorar enquanto rio.

Sinto-me também defasado

nesta fase da minha vida

em que da vida eu já saí

mas na vida permaneço.

Atropelei-me e saí ferido;

ferido e desinteressado,

pelo menos neste momento…

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Por onde vou começar?…

O assunto do dia é, como não poderia deixar de ser, a vitória do meu país sobre a França na final da Eurocopa.  No entanto, como não sou exatamente um fã do futebol, digo que estou muito orgulhoso, mas o assunto morre por aí mesmo e pronto.

A semana teve desdobramentos dramáticos no trabalho e decisões seguindo seu curso no âmbito pessoal. Disparei o processo de entrega do apartamento que há vários anos alugo em Macaé, iniciativa que me coloca no meio de suaves corredeiras ao sabor das quais me deixarei levar até ao estuário da aposentadoria. Se isso vai ser bom ou mau, o futuro o dirá. O bom desse futuro é que estou a “falar em futuro”, em viver a minha vida enquanto tenho vida para viver, ainda com capacidade para ir em frente com os meus mais caros projetos outros.

É fato que tenho ainda um ultimo desafio na área profissional a cumprir até ao fim deste ano, mas acredito que tudo irá dar certo.

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Venho falando demais em espelhos ultimamente, reconheço. E isso deixa-me agastado e cabreiro ao surpreender-me uma vez mais em frente a um a procurar e achar, porque quem procura sempre acha, saliências e protuberâncias novas no que remanesce do meu rosto original.
Observo que os parênteses que emolduram o deformado nariz e a boca, são agora valas profundíssimas nas quais mal penetra a luz! Encontro também um ponto e vírgula a mais na pele, além da letra “U”e de vários pontos de exclamação já bem conhecidos. Aliás, meu rosto parece ter tatuada toda a acentuação da língua portuguesa. Os meus olhos estão diminutos acima das papadas aumentadas. As bochechas do rosto despencam, mas despencam assimetricamente – a esquerda mais baixa que a direita – como assimétricas são as estranhas cordas da papada que encobrem por completo onde deveria aparecer um pomo de Adão. Dia destes aqui no trabalho, um alguém me disse que uma alguém lhe falou sobre “um estranho volume na calça” que eu teria acima da perna esquerda! Confesso que cheguei a ficar ufano como nos anos 60, quando usava calças muito apertadas para realçar os dotes. Mas o alguém logo acrescentou a pergunta “…ele usa alguma prótese na perna?”!!
Não, não uso, ainda, prótese alguma em nenhuma das minhas pernas. Mas, pelo sim pelo não, decidi mudar a volumosa carteira que sempre porto no bolso esquerdo das minhas Levi’s medida 32 x 30, para um dos bolsos traseiros. Espero que ninguém pergunte se eu uso próteses para aumentar a bunda…

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Musa

Acredito não ter uma ideia muito real do que seja o tempo. O espaço é curtíssimo entre o tempo vivido há exatos cinquenta e três anos e o dia de hoje. Lembro que há poucos instantes eu ainda ensaiava em fragoroso silêncio, as frases de efeito que esperava ter a oportunidade de proferir ao ouvido dela. E, temerariamente, fazia-o tendo a minha imagem refletida num espelho, conquanto tal reflexo nenhuma tranquilidade me transmitisse…

É vero que espelhos são perigosamente francos e jamais mentem, salvo quando, ao termo de tantas imperfeições nos descobrirmos, por mentirosos os tomamos.

Mas a minha Musa acreditou nos meus improvisos, porque, é claro, tudo o que havia ensaiado eu esqueci e, acredito que meio em dúvida, ela disse-me que sim, que aceitava namorar comigo! Hoje a minha Musa está aqui em Macaé, reclusa numa espécie de aquário envidraçado no sexto andar de um edifício com o único elevador avariado há quatro dias. E eu, abandono a minha Musa antes do nascer do Sol e para ela volto quando o Sol há muito se foi.

 

Musas, eu já disse, podem ser suscetíveis

Podem até por momentos ser irascíveis

Mas as musas são seres indispensáveis

Pois sem elas, somos mesmo imprestáveis…

 

PS: Eu te amo, Musa!

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