É desumana a tensão que hoje enfrentam diariamente as pessoas que ainda conservam um emprego de onde tiram a sobrevivência para si e para os seus. A volatilidade dos postos de trabalho é cada vez mais aflitiva e atinge também em cheio aqueles que acumulam muitos anos de experiência e por isso auferem um melhor salário. A Experiência perdeu a importância que tradicionalmente lhe era atribuída. A palavra de ordem atual entre os gestores de crise é trocar por alguém com metade do salário, caso o cargo em questão não possa ser extinto. O estado de coisas fez-me recordar afirmações que escrevi em outras ocasiões. Postei no Face Book uma delas:
“…Eterno aprendiz eu sou e a estrada que já percorri não me qualifica a achar-me proficiente em todas as matérias da ciência do existir. Não raramente a tal ‘Experiência de Vida’ poderia ser comparada à luz de esteira (Luz ou farol de Popa) de um navio em plena navegação. Quando se enxerga a tal luz, o navio já passou. Jamais dou conselhos. Os pontos de vista contidos nesses conselhos dificilmente se coadunariam com a realidade e filosofia dos dias presentes.”
Coincidentemente, li algures na mídia um destaque sobre o lançamento de um livro da autoria de José Bonifácio Sobrinho, “Boni”, bem conhecido expoente máximo da Televisão Brasileira cujo talento e capacidade ajudaram inquestionavelmente a erguer em tempos passados a toda poderosa Rede Globo de Televisão. O que de fato me chamou a atenção, uma vez que não pretendo adquirir e ler o volume, foram as ácidas criticas que ele fez em entrevista, ao modelo mais “light”, bem menos formal de ancorar noticiários, onde os âncoras levantam, conversam com correspondentes junto a enormes telas, improvisam e trocam figurinhas ao vivo com as moças do tempo. Em particular, criticou com aspereza o familiar tratamento dispensado a Maria Julia Coutinho pelo apelido de “Majú”, como, aliás, é agora nacionalmente conhecida.
Dir-se-ia que Boni preferiria que nada houvesse mudado e que os procedimentos por ele elaborados e emitidos nos seus áureos tempos continuassem a ser fiel e rigidamente seguidos, enquanto que eu prefiro não interferir no curso da modernidade e da mudança de sistemas. Por isso, reafirmo que, não raramente, a experiência adquirida contém vivência do passado que não deve ser posta em prática nos tempos presentes e, portanto, deve ser banida de “aconselhamentos” em nome dessa experiência.
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