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Archive for Novembro, 2015

É desumana a tensão que hoje enfrentam diariamente as pessoas que ainda conservam um emprego de onde tiram a sobrevivência para si e para os seus. A volatilidade dos postos de trabalho é cada vez mais aflitiva e atinge também em cheio aqueles que acumulam muitos anos de experiência e por isso auferem um melhor salário. A Experiência perdeu a importância que tradicionalmente lhe era atribuída. A palavra de ordem atual entre os gestores de crise é trocar por alguém com metade do salário, caso o cargo em questão não possa ser extinto. O estado de coisas fez-me recordar afirmações que escrevi em outras ocasiões. Postei no Face Book uma delas:

 

“…Eterno aprendiz eu sou e a estrada que já percorri não me qualifica a achar-me proficiente em todas as matérias da ciência do existir. Não raramente a tal ‘Experiência de Vida’ poderia ser comparada à luz de esteira (Luz ou farol de Popa) de um navio em plena navegação. Quando se enxerga a tal luz, o navio já passou. Jamais dou conselhos. Os pontos de vista contidos nesses conselhos dificilmente se coadunariam com a realidade e filosofia dos dias presentes.”

 

Coincidentemente, li algures na mídia um destaque sobre o lançamento de um livro da autoria de José Bonifácio Sobrinho, “Boni”, bem conhecido expoente máximo da Televisão Brasileira cujo talento e capacidade ajudaram inquestionavelmente a erguer em tempos passados a toda poderosa Rede Globo de Televisão. O que de fato me chamou a atenção, uma vez que não pretendo adquirir e ler o volume, foram as ácidas criticas que ele fez em entrevista, ao modelo mais “light”, bem menos formal de ancorar noticiários, onde os âncoras levantam, conversam com correspondentes junto a enormes telas, improvisam e trocam figurinhas ao vivo com as moças do tempo. Em particular, criticou com aspereza o familiar tratamento dispensado a Maria Julia Coutinho pelo apelido de “Majú”, como, aliás, é agora nacionalmente conhecida.

 

Dir-se-ia que Boni preferiria que nada houvesse mudado e que os procedimentos por ele elaborados e emitidos nos seus áureos tempos continuassem a ser fiel e rigidamente seguidos, enquanto que eu prefiro não interferir no curso da modernidade e da mudança de sistemas. Por isso, reafirmo que, não raramente, a experiência adquirida contém vivência do passado que não deve ser posta em prática nos tempos presentes e, portanto, deve ser banida de “aconselhamentos” em nome dessa experiência.

 

 

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Naghmeh

naghmeh

It’s too much of a mystery

her tears bring to light!

Her eyes, so soft, so watery…

just made me freeze in delight

for such a poem of photo mastery

*

A Lovely Persian Grace

a sad look up on her face

as perfect as a face can be

God’s chiseled are her lips,

finely molded by finger tips…

Ultimate perfection, to me!

**

Poem by Nelsinho

Photo by Newsha Tavakolian  @ http://www.newshatavakolian.com/

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O título, belíssimo e desconcertante, mexeu comigo mesmo antes de sequer dar um passo para adquirir o livro. Recolhi-me ao meu casulo, vasculhei-me, vasculhei-nos, inquiri-nos e tateei freneticamente as cicatrizes de velhos ferimentos na alma. Ponderei então que se eu ainda posso tatear cada uma das cicatrizes, resulta que a minha amnésia não avançou para cicatrizar as cicatrizes. Considerando a insegurança das minhas ponderações sobre o tema, fiz o óbvio: Desisti e li o livro.

“Segredos verdadeiros são sepultos. Enterrados vivos, são aflição constante para todos os túmulos. Por mais que se acredite, nenhum segredo é só seu, todos têm uma vitima oculta, o segredo explica o silêncio que por si o explica”.

Assim enceta o autor sua jornada através da sua narrativa recheada de filosóficas utopias, desutopias e pura poesia plena de surpreendente humanismo, até desaguar no estuário gostoso do amor e romance. Na minha caminhada ao longo do texto, dei por mim nem tão poucas vezes calcorreando penosamente conhecidas veredas cheias de pedras e espinhos em direção ao local onde, diziam-me, morava a felicidade.

Bebi o livro degustando cada página, porque em seu âmago eu me encontrei na minha própria trajetória. Como estou só no momento, servi-nos duas taças de um tinto de razoáveis reservas alentejanas: Brindamos, eu e eu mesmo, à vida, suas alegrias e misérias, suas vicissitudes e ferimentos que a indefectível amnésia um dia cicatrizará.

Ao Autor, Milton Camargo, congratulações pelo excelente texto, esperando pelos próximos!

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