Caminhava penosamente pelo meu próprio cérebro, como se o meu cérebro fosse um desértico e pavoroso lugar fora deste planeta. Não conseguia encontrar a sensibilidade e em consequência também não encontrava a razão, a coerência. Só o vazio do vazio, o avesso de todos os avessos. Dei em pensar no que estava a pensar, quando estava a pensar em absolutamente nada de nada, o que resultou em vazio absoluto e numa espécie de quase insanidade.
Acordei extremamente perturbado e perturbado continuo até agora. Surpreendi-me, pois, a usar inconscientemente a minha pensatrix para aberrantes experiências que poderão até ser perigosas. Perigosas porque fora do meu controle, pondero. Deve ser essa uma das formas de se chegar a doido. Não é que eu seja “na vida real” totalmente isento de alguma porção de insanidade. Afinal, existem alguns canteiros de insanidade que cultivo com alguma paixão. Rego-os amiúde, protejo-os e até chego a acariciá-los em exacerbados momentos…
Insanidade em doses bem controladas é coisa de bom tom. É só aprender a dosagem certa e ter a paciência de deixar a insanidade dissolver-se muito bem sem deixar vestígios sólidos. Usa-se então essa insanidade em suspensão tomando uma colher das de sopa bem cheia todos os dias de manhã antes da saída para os sanatórios gerais desta vida que, compulsoriamente ou não, cotidianamente frequentamos.
Deixe sua opinião