Às vezes, como agora, ao entardecer,
entristeço e enterneço-me com o Sol
que esmaece e logo lá longe desaparece
exangue, em clarões da cor do sangue.
…
Agora, começam as sombras da noite
a envolver-me e a tomar-me por inteiro
em lento e imparável processo de assalto
até que me penetram o âmago, a alma!
…
Agora eu era ninguém, um nada, nada,
perdido na minha pequenez infinitesimal
e achado no que me resta da soberba
de acreditar-me dono e senhor de mim…
…
Agora eu era um humano, terráqueo,
reduzido à expressão mais simples
e grotesca de animal ensonado,
despojado, indefeso, desinteressado
…
Vou dormir…Aah…dormir…

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