Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Outubro, 2015

Insanidades

Caminhava penosamente pelo meu próprio cérebro, como se o meu cérebro fosse um desértico e pavoroso lugar fora deste planeta. Não conseguia encontrar a sensibilidade e em consequência também não encontrava a razão, a coerência.  Só o vazio do vazio, o avesso de todos os avessos. Dei em pensar no que estava a pensar, quando estava a pensar em absolutamente nada de nada, o que resultou em vazio absoluto e numa espécie de quase insanidade.

Acordei extremamente perturbado e perturbado continuo até agora. Surpreendi-me, pois,  a usar inconscientemente a minha pensatrix para aberrantes experiências que poderão até ser perigosas. Perigosas porque fora do meu controle, pondero. Deve ser essa uma das formas de se chegar a doido. Não é que eu seja “na vida real” totalmente isento de alguma porção de insanidade.  Afinal, existem alguns canteiros de insanidade que cultivo com alguma paixão. Rego-os amiúde, protejo-os e até chego a acariciá-los em exacerbados momentos…

Insanidade em doses bem controladas é coisa de bom tom. É só aprender a dosagem certa e ter a paciência de deixar a insanidade dissolver-se muito bem sem deixar vestígios sólidos. Usa-se então essa insanidade em suspensão tomando uma colher das de sopa bem cheia todos os dias de manhã antes da saída para os sanatórios gerais desta vida que, compulsoriamente ou não, cotidianamente frequentamos.

Read Full Post »

Entardecer

sundown

Às vezes, como agora, ao entardecer,

entristeço e enterneço-me com o Sol

que esmaece e logo lá longe desaparece

exangue, em clarões da cor do sangue.

Agora, começam as sombras da noite

a envolver-me e a tomar-me por inteiro

em lento e imparável processo de assalto

até que me penetram o âmago, a alma!

Agora eu era ninguém, um nada, nada,

perdido na minha pequenez infinitesimal

e achado no que me resta da soberba

de acreditar-me dono e senhor de mim…

Agora eu era um humano, terráqueo,

reduzido à expressão mais simples

e grotesca de animal ensonado,

despojado, indefeso, desinteressado

Vou dormir…Aah…dormir…

Read Full Post »

Crônicas

Drivin

Sem querer descumprir a promessa de não voltar com o tema das minhas viagens Niteroi X Macaé, descumpro-a, todavia e momentaneamente, para usá-lo como ferramenta para alinhar as agulhas que poderão reconduzir-me aos trilhos das crônicas mais ou menos regulares que tinha o hábito de criar, ainda que, muito frequentemente, decidisse não as postar, abandonando-as ao limbo do tempo.

É verdade que o exercício de conduzir a minha velha viatura durante pelo menos duas horas e meia a considerável velocidade numa via reconhecidamente perigosa, parece revolver o fundo do lago das minhas ideias e memórias, forçando-as para a superfície onde permanecem ao “som da água” por algum tempo. De ordinário, escancaram-se em risos de escárnio se, como é mais vezeiro, não logro recolhê-las para bordo antes que voltem a afundar…

A viagem de hoje, atipicamente numa segunda feira, atiçou-me a vontade de voltar a produzir aquelas crônicas que ninguém lê e a que convencionei chamar de “Mukandas”, mesmo que mukandas não sejam, precisamente porque ninguém as lê. Preciso retomar-me das garras do meu Eu que se tornou perigosamente desinteressado e dorminhoco, tomado de um cansaço doentio que me está adoecendo.

Assumo-me pois, de volta, ou pelo menos assim o espero…

Read Full Post »

Que tempos, meus senhores!

Tempos da volta d’ horrores,

d’ horrores já outrora vistos

já d’outrora tão temidos

de tão terríveis, tão sofridos

sangrentos tempos já vistos…

……..

Então meus versos tempero

sem o sangue e desespero

destes tempos de terror

Tempero-os com especiarias

mescladas com as alegrias

que me dá o meu amor…

Read Full Post »

Das Férias

Luar

Férias sempre são e serão dias de lazer, de coisa nenhuma fazer, de esquecer, esquecer. No entanto, é para as férias que lançamos todos os projetos de visitar locais que há muito desejamos ver, de ir a duas ou três casas de fado e outras tantas de morna, de algum magnífico concerto, bibliotecas e museus, além de muitos comes e muitos bebes. Se conseguíssemos realizar tudo isso, mandatório seria estender as férias por alguns dias para delas descansar. Confesso que seria incapaz de justificar as quatro semanas de férias na terrinha, porque nada, absolutamente nada do que pensei em fazer, eu logrei realizar…

Resta então o primeiro parágrafo: Cansei de tanto descansar!

Read Full Post »