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Archive for Julho, 2015

Canino coração

olhar Figura na praia

Dia destes, madrugador inveterado, eis-me uma vez mais pisando a faixa de areia ciclicamente lambida pelas ondas, para elas hora avançando, hora delas fugindo para não molhar os sapatos, mas sempre obedecendo ao comando do meu olhar, obcecado na procura dos melhores pontos para a tomada de imagens com os sensores da minha câmera. Depois, desviei minha atenção do Sol Nascente e do surpreendente numero de surfistas já de molho àquela hora, para observar a Sul, a praia e calçadão começando a ser iluminados.

Uma figura solitária e irreal caminhava pela areia afastando-se de mim e de dois cães que pareciam extravasar felicidade enquanto brincavam na areia, com a areia. Acerquei-me dos cachorros, que pararam imediatamente suas brincadeiras e, amistosos, me observaram com grande curiosidade. Admirei os bichos, fotografei-os, invejei-os. Postei uma das fotos no Face Book com uma frase poética que me ocorreu e que a Maga – Magali Campelo Magalhães sugeriu converter em estrofe, que acabou seguida de sextilhas rimadas:

***

Quanto mais profundamente

olho nos seus olhos,

mais eu sinto que gostaria

de ser um cão brincando n’areia…

…libertando-me do bípede!

***

Assusto-me por um momento,

com tal força de pensamento

que m’impele a ser um cão

e correr solto e livre pelo areal,

célere feito e dito um animal,

do mais canino coração!

***

Mas, Oh! Crua realidade!

Acordo; E no que acordo, a verdade:

Não sou cachorro, não!

Continuo bípede, velho, vertical,

Continuo a julgar-me “racional”

achando-me superior ao cão…

…com um canino coração.

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O Ovo

Branco é, galinha o põe, mas a verdade é que o ovo nem sempre é branco. Pode até muito bem ser castanho claro, azul às riscas ou vermelho de raiva como estou agora, que, uma vez quebrado, revela-se invariavelmente amarelo e branco. A não ser que esteja fecundado ou podre, bem entendido (aargh!)

Não, não tenho a imaginação e genialidade de uma Clarice Lispector para me atrever a sair por aí fora dizendo cobras e lagartos do ovo, do ovo, por mais ovo que ele seja. Como ela muito bem disse, “ovo visto, ovo perdido”. Melhor ainda, tem de se caminhar leve, que é “para não entornar o silêncio do ovo”.

Mas então, porque faço eu um arrazoado sobre o ovo e apelo para Clarice, que tanto sobre o ovo disse? A explicação é que estou de ovo virado! Também estou cansado, esfalfado, suado e, como disse, de ovo virado porque não tenho água quente para tomar um decente e relaxante banho de chuveiro. Putíssimo do ovo, aqui fico eu na função de esquentar água no fogão para um banho de chaka-chaka…

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Complicado

Existo...

Faz muito que terminei o livro da Letícia Wierzchovsky e nada de me dispor a voltar às leituras, nem mesmo às releituras das obras clássicas omnipresentes nos meus Kindle. Sempre que me pego a pensar que vou finalmente mudar tudo e dedicar-me de alma e coração, acabam me pegando para outra enrascada que ocupa todos os meus espaços. Vai então surgindo, devo confessar, um crescente desejo de jogar a toalha…

Contrario Pessoa, que em algum lugar escreveu que “basta existir para ser completo”, pois o meu completo existir a mim não basta. Não, pelo menos o existir que me imponho – Um tipo de existir-me à margem do maior desejo do meu existir, que é precisamente, Existir! Parece complicado, mas sou eu próprio que me complico e enrolo com essas tão minhas esquisitices existenciais…

Reli os textos de dois auto retratos fotográficos que postei no FB; Num deles, refiro-me ao passamento do meu pai quando contava setenta e dois anos, destacando o tanto que o correr da idade nos deixou parecidos e, é claro, o fato de eu estar prestes a atingir também setenta e dois anos. É óbvio que me bateu o receio de abotoar o paletó em Março próximo, Isso, pondero, deveria propelir-me a fugir do presente status…

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Em criança, fui tomado de amores por uma lourinha do meu bairro. Há alguns anos, recordei essa passagem da minha vida com um texto que pode ser lido no link abaixo. No escrito, destaco as propriedades “Luminosas” da loura criaturinha que tanto me fascinava.

Essa “Luminosidade”, aprendi, não é afinal e de forma alguma, coisa exclusiva da alvura da pele e das claras madeixas louras. Maju Coutinho, a nossa Maju, negra das mais belas que a Natureza criou, ilumina telas e almas com sua presença linda, plena de charme, cheia de graça! A verdade é que o meu coração exulta quando tenho oportunidade de vê-la falar das pancadinhas e pancadões de chuva, geadas e calorões, raios e trovões…

Aqui em casa somos todos Maju.

http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/1556650

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