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Archive for Junho, 2015

“Normal”

Há porções de mim que me renegam,

outras  que, gentis, me querem e acolhem;

Há as partes de mim que me segregam,

outras que as diferentes partes agregam

contrariando as que me isolam e tolhem…

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Confuso, leio e releio a quintilha acima sem que lhe divise a razão de ser. No entanto, eu acabei de a parir num acesso de “repentismo”! Teria o meu cérebro a intenção de dar a tal quintilha alguma continuidade?  Mas que tipo de continuidade?  Não importa, porque a verdade é que eu não faço a menor ideia de como poderia ser essa continuidade.

Estendo a mão esquerda e vejo que treme! Não estou com frio nem estou nervoso, logo, se a mão treme sem o meu consentimento, devo tremer junto porque significa que não mais controlo meus membros. O mesmo acontece com a minha pensatrix: Como se atreve ela a dar à luz quintilhas não prévia e expressamente por mim aprovadas?! Nisso, garanto, meu nome é dona Solange!

Agora a sério: Eu sempre me soube cindido em personalidades preocupantemente disjuntas, antagônicas, beligerantes entre si…Com o avanço da idade, elas passaram a promover violentos e frequentes tumultos dentro do meu casulo, que dão enorme trabalho para controlar. Externamente no entanto, garanto que sou “normal”, mesmo de pertinho.

P.S.: Alguém por aí para definir a palavra “Normal”?…

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Destino

Sem resposta concreta, sigo questionando-me sobre a razão destas minhas corridas feito um “shuttle” num vai-vém Macaé X Niteroi/Niteroi X Macaé. Corro eu contra, ou a favor do Destino? Reparem que escrevi Destino com maiúscula, porque não é ao destino do trajeto que me quero referir. Lembro em criança ouvir falar que “ninguém foge ao seu Destino”. Quererei eu fugir ao meu? Pensando bem, acho que fui predestinado a driblar o meu Destino, seja lá o que o meu Destino ainda me reserve. Nas minhas lucubrações, “Destino” é “Fado” que se canta em tom magoado, mas sem relação com a morte, que por isso se chama morte e não destino.

Esse meu papo é porque senti-me corar (ruborizar, se preferirem), ao abrir a porta do green house aqui em Macaé sem  conseguir encontrar explicação cabal e de plena justificação para a minha descida para Nikiti ontem de madrugada. Porque fui?…Fui porquê? Rodar 2X175 Kms só pra rodar o fifty shades of f*#”ktup?! Inverossímil! É claro que eu estava com saudade da minha mais-que-tudo e fui dormir com o cheirinho do travesseiro dela; Isso seria a explicação certa,não estivesse eu com uma das minhas crises de alergia respiratória, mais anósmico que nunca. Não sentiria o cheirinho dela, nem que lhe fungasse o cangote em pessoa.

Enfim, fui, provavelmente, para sentir-me em casa, solitário e carente, no limiar de completarmos cinquenta e dois bem contados e rápidos anos de relacionamento, em busca de inspiração para um retorno à poesia tão afastada de mim. Acabei por me sentir satisfeito com esta alternativa mas, ó tristeza: Do poema, nem um esboço…

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“Todo o bom calafate poderia ser, por certo, um poeta. São rimas, as linhas do calafeto ao longo de um costado ou de um convés trabalhado com sabedoria e alma”

A frase acima foi por mim criada e escrita no espaço de comentários de um amigo que postara sobre o Poeta setubalense Antonio Maria Eusébio, calafate de profissão cujos poemas foram assinados com o nome Antonio Calafate.

Realizei então que, de modo incessante, eu trabalho o madeirame do meu velho casco de forma a mantê-lo flutuando e singrando as águas revoltas desta vida. E logro fazê-lo, calafetando com alma, carinhosamente, meticulosamente, cada junta das tábuas que me compõem…

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