Decidi-me finalmente a reagir de alguma forma à perplexidade que gelou meus impulsos e me impediu de, com plena lucidez, colocar num texto algum pouco do muito que povoa a minha alma. Alma espupfacta e incrédula, aliás, ante loucas realidades nunca d´antes em pesadelos imaginadas. Não bastasse o pavoroso e sanguinário movimento da volta das cruzadas, desta feita em sentido inverso, uma vez mais, em muito pouco espaço de tempo, chocamo-nos com a tresloucada atitude de um piloto que trai todos os pilotos e a confiança de todos nós, usuários de um transporte que por si só tem tanto o que pode dar errado.
Costumo dizer que gosto de tudo o que voa, com ou sem asas. Confesso-me habitué de tudo quanto é site aeronáutico, principalmente técnico, incluindo nisso os sites de segurança e estatística, onde me mantenho permanentemente up-to-date no que vai ocorrendo em matéria de acidentes e incidentes, relatórios de investigação, boletins de segurança, etc., os quais deveriam, mas não me infundem, medo suficiente para desgostar de voar. Para grande parte dos componentes e sistemas vitais de uma aeronave, existem redundâncias que de forma automática assumirão em caso de falha.
Não menos vitais que os componentes mecânicos e eletro-eletrônicos, são os humanos que pilotam os computadores que em ultima análise controlam os comandos da máquina. Para eles, também existe a redundância de outro humano que assume imediatamente na falha ou temporária ausência do elemento principal. Foi necessário o sacrifício de adicionais cento e quarenta e nove vidas para deixar uma vez mais bem claro que, ao contrário dos componentes eletro mecânicos, a dupla redundância não é suficientemente confiável para o componente humano.
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