O fraticida caminhava de pulsos amarrados, escoltado por gente armada e seguido por pequena multidão que ia engrossando conforme os mirones postados no caminho iam aderindo ao estranho e silencioso cortejo. O destino eu não sei, mas lembro-me de escutar que a Guarda Republicana estava a caminho para assumir e conduzir o preso para onde ele teria de ser posto a ferros. Esta é uma das indeléveis recordações de criança em que as imagens me ocorrem com perfeita definição, apesar da minha pouca idade – eu teria os meus cinco, talvez seis anos! Irmão matou o próprio irmão numa discussão sobre …água para a rega!
A região sudeste brasileira resvala para uma seca caótica de efeitos desastrosos e nunca esperados. Afinal, lembro-me, quando optamos por morar no país, alguém nos disse: “O Brasil é o país do futuro, porque tem muita água”! Algumas particularidades surpreenderam-nos sobremaneira, no que concerne ao cada vez mais preciso fluido. Uma delas foi sem duvida a constatação de que os brasileiros dividiam igualmente o custo da água! Um sujeito que morava sozinho era obrigado a pagar o consumo de uma família de seis ou mais, porque não havia hidrômetros individuais, coisa que nunca havíamos visto!! Quarenta anos depois continua não havendo hidrômetros nos edifícios de apartamentos, mesmo os de recentíssima construção. Na míngua e consequente elevação do custo do liquido da vida, prevejo violentas querelas. Mas…quem sabe, deus seja mesmo brasileiro e recomeça a chover e tudo vai continuar igual…
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