Futebol nunca esteve entre as minhas predileções, resultando que o valor que pessoalmente atribuo aos expoentes da bola é geralmente de indiferença e, por vezes, até pouco lisonjeiro. É que tendo a escandalizar-me com as cifras astronômicas pagas aos ases da modalidade que se tornaram celebridades globais reconhecidas nos lugares mais remotos do planeta. A minha mais-que-tudo, nas incontáveis vezes que cruzou as fronteiras Singapura/Malásia/Singapura, sempre se surpreendia quando os oficiais de imigração de um e outro lado, ao abrirem seu passaporte, exclamavam: “Cristiano Rrronaldooo!!!!”, enquanto desferiam alegre e ruidosamente as necessárias carimbadas!
O pedreiro foi lá a casa completar um serviço a cargo do condomínio e deu uma real e alegre caprichada nos acabamentos, enquanto se empolgava contando à Nina que seu filho é candidato à escolinha do Vasco e que o garoto é fã-nático do CR7 sobre quem lê tudo e a quem mais que admira por seu empenho profissional, riqueza, carrões de sonho, etc. Não foi o passaporte, mas foi a pronuncia lusa que ela conserva quase incólume. No que ela abriu a boca…
De volta Macaé, meio macambúzio por me sentir cansado e, confesso, até meio fragilizado, não me achei com firmeza para sair sob este solzão para uma caminhada no calçadão da praia. Fechei-me na redoma com o AC em temperatura bem baixa e ensaiei o inicio deste texto, experimentando-me. Estou com uma sensação de vazio de alma. Preciso voltar à poesia, mas tudo o que produzo eu acho ridículo e isso é desencorajador e frustrante. Na expectativa de mudar de apartamento, fiz algumas fotos das vistas que das duas varandas desfruto por preço alto demais para um lugar tão quente e mal mobilado. O meu Domingo anoiteceu e nova semana de trabalho está chegando…

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