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Archive for Dezembro, 2014

Mais um Natal se passou! Não, não era isso que eu queria escrever. Vou tentar de novo: Um Natal mais a menos nos Natais que me restam. Dramático! Também não, também não quero assim. Afinal, pensando um pouco mais, este que acabei de viver, foi um Natal com mui gratas diferenças em relação àquele vivido 12 meses passados, quando escrevi:

 “…Ilhados na nossa silenciosa solidão, acabamos de degustar a dois a frugal tradição centenária do nosso povo: Batata, verdura, ovo, bacalhau. Cozidos em água, simplesmente, regados no prato com azeite de oliva. Uma taça de vinho tinto sorvido em pequeninos goles, ajudou a passagem nas gargantas penosamente obstruídas em ponto de pranto.  Duas castanhas assadas no forno e uma fatia do mágico Bolo-Rei coroaram a nossa consoada. Sem árvore de luzes coloridas, à parte de todo o longínquo bulício familiar de filhos e netos…”

Este Natal teve, sim, árvore de pingentes coloridos atraindo e cativando os olhinhos brilhantes da nossa netinha Isadora, preciosa princesa que atraiu e cativou nossos velhos olhos, que assim voltaram a brilhar, revigorados que foram por tão milagroso colírio! Repetida foi a tradição centenária, porém, desta vez temperada com raras e delicadas especiarias. Pitadas de “Saudade” foram adicionadas para que assegurássemos junto de nós, em torno da nossa mesa, todos os nossos queridos ausentes…

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hoje (1 of 1)

Amanheci meio cinza, não sabia se porque cinza estava a manhã ou se eram meus olhos que exteriorizavam o cinza que me envolvia a alma. Fotografei para comprovar, mas a foto saiu linda aos meus remelados olhos, apesar do ténue véu cinzento com que o céu pudicamente se cobria. A foto, concedo, forneceu-me um certo “improvement” ao humor e propeliu-me para o chuveiro. Se havia remela nos olhos a remela se foi na chuveirada. No lugar do café, uma caneca bem cheia de água fez o lastro para um delicioso mamão que devorei saboreando demoradamente como se de um ritual se tratasse. Ritual solitário, para um solitário dia que a multidão em torno de mim só fez acentuar.

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Before the looking glass,

I sadly stared at my reflection:

“Senior!”, I whispered, “Third Age Class!”…

Whatever I am! I have no objection!

++

It’s so painful looking at me and see

that a lifetime elapsed so fast…

Remainings of the man I used to be

That’s all I find in the mirror at last

++…

Wise and clever I’m feeling no longer

and in doubt I am if I have ever been;

Have I at any time been stronger?

I asked my own wreckage in the mirror seen…

++

Laughed loudly at me the looking glass!…

Waves of heat and rage came up on my face

Should I destroy this miserable glass

that laughs at my ageing disgrace?

++

“Calm down!”,  I forced myself;

Then, got the razor from the shelf

and started shaving my chin.

At the mirror I stuck out my tong

then madly laughed and sang a song

and, finally, forgot about my ageing skin…

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Fingir

Desmonto-me a pouco e pouco, e vou colocando meticulosamente peça sobre peça em vitrines de exposição do meu passado, só para alimentar nostalgias… O presente escoa-se a cada irrecuperável segundo e o futuro é uma curta jornada com destino mais que certo. Finjo, todavia, que a idade não está a desmontar-me de forma paulatina e inexorável. E como é bom ser um bom fingidor! Penso até em fingir que não é a morte quando a morte não estiver a fingir…

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Cochilo

Havia...

De vidro é meu fojo onde dormito…

As vidraças vibram sob o forte vento

uivando pelas frestas do pensamento.

Do breve sono súbito acordo, aflito,

como se das trevas saísse num agito

com respirar pesado em sofrimento…

Por onde andei eu enquanto dormia

pra meu acordar ser em tal agonia

a ponto de me deixar em desalento?!…

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At Toa

v (1 of 1)

Futebol nunca esteve entre as minhas predileções, resultando que o valor que pessoalmente atribuo aos expoentes da bola é geralmente de indiferença e, por vezes, até pouco lisonjeiro. É que tendo a escandalizar-me com as cifras astronômicas pagas aos ases da modalidade que se tornaram celebridades globais reconhecidas nos lugares mais remotos do planeta. A minha mais-que-tudo, nas incontáveis vezes que cruzou as fronteiras Singapura/Malásia/Singapura, sempre se surpreendia quando os oficiais de imigração de um e outro lado, ao abrirem seu passaporte, exclamavam: “Cristiano Rrronaldooo!!!!”, enquanto desferiam alegre e ruidosamente as necessárias carimbadas!

O pedreiro foi lá a casa completar um serviço a cargo do condomínio e deu uma real e alegre caprichada nos acabamentos, enquanto se empolgava contando à Nina que seu filho é candidato à escolinha do Vasco e que o garoto é fã-nático do CR7 sobre quem lê tudo e a quem mais que admira por seu empenho profissional, riqueza, carrões de sonho, etc. Não foi o passaporte, mas foi a pronuncia lusa que ela conserva quase incólume. No que ela abriu a boca…

De volta Macaé, meio macambúzio por me sentir cansado e, confesso, até meio fragilizado, não me achei com firmeza para sair sob este solzão para uma caminhada no calçadão da praia. Fechei-me na redoma com o AC em temperatura bem baixa e ensaiei o inicio deste texto, experimentando-me. Estou com uma sensação de vazio de alma. Preciso voltar à poesia, mas tudo o que produzo eu acho ridículo e isso é desencorajador e frustrante. Na expectativa de mudar de apartamento, fiz algumas fotos das vistas que das duas varandas desfruto por preço alto demais para um lugar tão quente e mal mobilado. O meu Domingo anoiteceu e nova semana de trabalho está chegando…

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Castelos

crawdy

Fernandinha Torres absorve-me por inteiro no redemoinho irresistível dos seus textos! As crônicas em “Sete Anos” são de leitura divertida, muito difícil parar. Estou a meio e, sintomaticamente, ainda não deixei cair o Kindle no rosto numa cochilada. Meu fragilíssimo par de óculos tem-se revelado surpreendentemente resistente à leitura de Joyce!…

Construir castelos no ar enquanto caminho a passo largo e esforçado ao longo do magnifico calçadão da Praia dos Cavaleiros na combalida “Capital dos Petróleos” – Priceless! Os tons de azul estão mais azuis, do lado do nascente. Os meus castelos obstruem o livre voo dos intrépidos windsurfistas, que não estão nem aí: Os meus castelos são só meus…gasosos.

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