Ausente de mim por tão longo tempo, começo a sentir uma ponta de saudade e a vontade de voltar é já inegável. Sento-me diante do teclado e ensaio uma tímida aproximação. Sou, uma vez mais, um “tender foot” arriscando algumas passadas por terreno pouco firme. Há que ser afoito para retomar a área, mas com cautela para evitar incidentes.
O período tem sido fértil em infertilidade. Dei tiros no próprio pé, esqueci datas que não é possível serem esquecidas por um humano com um mínimo de massa cinzenta. Agora, tento esquecer o que esqueci e voltar, se possível, a agir um pouco mais dentro do que é habitual chamar-se de “normalidade”, seja lá o que isso realmente signifique.
O fulano que me aluga o Green House mandou-me uma mensagem enrolada numa pedra. Ele diz que o contrato termina no dia dez de dezembro, que eu tenho de assinar outro contrato e que o novo valor de mercado é de um monte de estalecas que eu não quero pagar. Não sei o que fazer. Ou melhor, eu sei que devo arrumar um esconderijo menos quente e menos caro. O problema é onde eu encontro disso na capital do petróleo. Qualquer unidade em prediozinho de construção vagabunda, com atraso técnico de 50 anos, completamente despida do mais que básico, é alugada pelo preço cobrado em Singapura por um confortabilíssimo, bem mobilado e apetrechado apê em condomínio ultra moderno. Dá vontade de desistir e desertar…
