Eis-me só, de volta ao apê envidraçado que o Sol da tarde esquentou. Abri as portas das varandas e as janelas buscando a brisa que não há, buscando alegrar-me com o que há, bebendo do esplêndido visual da praia. O estado de espírito não anda lá dessas coisas e acabei por sentir-me um estranho neste estranho planeta. O poderoso Sol, sangrento e morrente, tingia de vermelho a terra e as almas.
Declarar-me em estado de letargia, desprovido de qualquer réstea de vontade própria dando plena razão a quem por mim se preocupa: Declaração do óbvio. Desinteresse, é o nome da cousa. Desinteresse paralisante, estupidificante por tudo. Sobretudo por mim próprio. Parei de ler, parei de escrever, não gosto das fotos que faço e sinto náuseas quando releio meus textos. Não sei dizer se é grave, mas procuro convencer-me de que tem cura, ao tempo em que tento agarrar-me ao que poderá restar-me de razão, sensibilidade e amor próprio, virtudes que sei haver em tempos possuído em razoáveis porções. Agora, o Sol foi embora, a noite está suave e tépida. “A cura de todos os meus males”, penso, sonhador, em voz alta, “Pode estar na poesia”!…

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