Ainda agora eu pairava sobre mim proprio em voo suave e silencioso, sustentado por correntes ascendentes geradas pela força do meu imaginário. Eu me observava lá do alto, alto, altivo e dominador de mim. Mas esse domínio sobre mim era fictício. Porque sempre foram fictícias as minhas vitórias sobre o meu próprio Eu. O meu vencido nunca está vencido de fato e o contra ataque é sempre de difícil resistência. A minha vitória é, pois, uma fraude. Fraude grosseira, porque ilusória e insustentável. Afinal, os dois contendores estão ao mesmo tempo fundidos e cindidos…
…feito um condor que paira incerto
julgo-me vitorioso sobre a presa:
meu próprio Eu que acoberto…
Porém, pesadão, sem ligeireza
abandono-me em campo aberto
e viro de mim a própria presa…
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