Resenhar Clarice?!… Suponho que não poucos o haverão feito de todos os seus livros. Não disponho de dados bibliográficos dessas resenhas e, confesso, tampouco as procurei ou procurarei, porque eu prefiro a elas não ter acesso e deixar-me levar, sem influências, por minhas proprias ideias.
Clarice Lispector é autora de pequenos livros de extensos textos. Extensos, na medida em que neles não funciona nenhuma técnica de leitura dinâmica. Ou se leem com redobrada atenção, ou não se haverão lido. Junto com a “redobrada atenção”, o leitor deverá disponibilizar uma alma com os portais escancarados e dotada de sagacidade capaz da proeza de emparelhar com a alma da escritora.
E Clarice é dona de uma alma labiríntica onde vezes sem conta me perco por me faltar a tal sagacidade em dose que me permita seguir suas pistas, em grande parte deixadas em hieroglifos filosóficos cujo entendimento requer perspicácia na leitura e fôlego para, a pulmão livre, mergulhar profundamente nas águas vivas e não raramente revoltas do seu âmago. Mas, como Lóri pensa em Uma Aprendizagem: ou o Livro dos prazeres, “…não entender é tão vasto, que ultrapassa qualquer entender…”
Não creio, pois, que algum dia me aventure pelas vertentes pedregosas que adivinho de tormentoso caminhar, na redação de uma resenha de qualquer dos seus livros que até este momento tive oportunidade de ler. Apenas uma certeza eu tenho: Lê-los-ei todos e, após degustá-los a meu prazer, ousarei ousar uma vez mais em algumas linhas calcadas na linha dos meus pensamentos.

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