Penso que o meu carrinho já faz esta viagem no piloto automático e esse é o motivo pelo qual eu me descobri no apê de Macaé sem que me recorde de nenhum detalhe do trajeto que acabo de completar. Seja isso bom ou mau, é uma habituação que nunca pensei que aconteceria e que me forço mais que nunca a tentar rejeitar, por nela não ser possivel encontrar qualquer sentido ou lógica. É no entanto real que, setenta anos vividos, me encontro na companhia de mim mesmo, num cochicho envidraçado a quase 200 kms de onde deixei a minha mais-que-tudo na solitária companhia dela mesma. A diferença é que meu caso é muito mais sério e inseguro porque, sem embargo, eu sou uma péssima companhia para mim próprio.
Rodei um show de Alejandro Sanz no DVD com o volume alto, o que acabou encobrindo os gritos da pobrecita cafeteira de pressão. O cafezinho sugiu em vômitos sobre o fogão e aí sim, eu corri como o fazia a minha querida mãe, que jamais em vida aproveitou mais que a metade da quantidade de leite que colocava pra ferver.
Alejandro cantava “Cuando nadie me ve” e eu me fixei na ideia de que aquele era o canto da imolada cafeteira! Não sei porquê, mas substituí-o por Harry Clapton, enquanto resfriava a bichinha e verificava que, milagrosamente, as vedações não derreteram – pelo menos desta vez! Preparei outra cafeteirada, limpei o fogão, et cetera.
Agora, no finzinho de uma dia de domingo, decido que absolutamente não vou poluir meus sentidos com o non-sense intragável do Faustão, ou navegando por aterrorizantes notícias de CNN´s ,BBC´s, Globo´s, muito menos acessando o para mim definitivamente insuportável FB que soberanamente detesto. Troquei Clapton por Sinatra bem baixinho e voltei à leitura do interrompido “Lone Voyager”.
Em tempo: FB, só mesmo para deixar uma pista para que alguém, eventualmente, venha ler estas tortas linhas…

