…ilhado na minha silenciosa solidão, rodeado de barulhentos petroleiros, todos nós ilhados em estruturas flutuantes. Poderia contá-las, cruzando através dos curtos diários que mantive ao longo de mais de duas dezenas de anos; Mas porque o faria? Metade da minha vida nesse longo período foi gasta assim, de raras presenças em ceias e eventos familiares em que só os mais chegados companheiros de embarque testemunharam, desinteressados, os meus babados sorrisos de orgulho nos precisos momentos em que os meus rebentos recebiam, sem a minha presença, suas graduações universitárias.
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Agora, Ilhados na nossa silenciosa solidão, acabamos de degustar a dois a frugral tradição centenária do nosso povo: Batata, verdura, ovo, bacalhau. Cozidos em água, simplesmente, regados no prato com azeite de oliva. Uma taça de vinho tinto sorvido em pequeninos goles, ajudou a passagem nas gargantas penosamente obstruidas em ponto de pranto. Duas castanhas assadas no forno e uma fatia do mágico Bolo-Rei coroaram a nossa consoada. Sem árvore de luzes coloridas, àparte de todo o longínquo bulício familiar de filhos e netos…
Niteroi, noite de Natal de 2013

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