Volubilidade, pouco comum na minha idade, ou arrependimento, lugar comum na minha idade?…O que é certo é que, ultimamente, tendo a amanhecer com ideias radicalmente opostas àquelas com que adormeci. Terei eu perdido a personalidade, ou haverei eu jamais contido a personalidade que me julgo com e me digo ter? Sacudo mais uma vez a cabeça como o faria um cão encharcado, na tentativa de livrar-me do ataque cerrado de incômodos auto questionamentos.
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Hans Helmut Kirst escrevia com uma crueza e riqueza de detalhes que me surpreendia e parecia alimentar-me com sentimentos que iam do conflito à resignação. O período era propício a devorar tudo sobre a guerra, pela inevitabilidade de me ver a mim próprio em armas. Acabara de passar nas inspeções médicas e logo me encontraria instruendo de um curso de graduados em uma Escola de Aplicação Militar. À leitura da série de livros intitulados “08-15” – “A Caserna”, “A Guerra”, “A Derrota”, seguiu-se “A Noite dos Generais” e fez de Kirst o meu autor preferido do lado alemão no tema Segunda Guerra Mundial, sem desmerecer Sven Hassel, Eric Maria Remarque e outros mais.
Terão sido, naquele tempo, no mínimo meia dúzia, as vezes que me recordo na plateia de alguma sala de cinema, espectador admirador-quase-estudioso da performance de O´Toole na pele do General Tanz em “A Noite dos Generais, trabalho que pessoalmente considerava extraordinário e inigualável. Tão extraordinário e inigualável, que depois acabei decepcionado no longo e para mim enfadonho “Lawrence da Arábia”!
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