…de um “Politicamente Incorreto”:
Estávamos no inicio dos anos 70 e eu garantia o leitinho da minha recém-nascida com o trabalho nas atividades de reparação e construção naval. Não me lembro de ouvir falar que fosse politicamente incorreto pescar ou caçar animais marinhos de qualquer espécie para a alimentação humana. Por isso, os grandes pesqueiros de alto mar, arrastões e cercadores de todas as nacionalidades, estavam entre os que garantiam meu tão suado ganha-pão.
Um dia, pela primeira vez, fiz a docagem e trabalhos periódicos de um autêntico baleeiro! Era um navio grande, diferente de tudo o que havia visto, com um castelo de proa desenhado para servir de plataforma aos canhões lançadores de arpões dotados de carga explosiva. A popa assemelhava-se a um arrastão comum com rampa e pórtico, mas tudo era preparado para puxar para bordo, retalhar e congelar as carnes dos grandes cetáceos abatidos, para o prato da população japonesa que tradicionalmente a consumia. O navio que eu atendera era o “SIERRA”, de bandeira cipriota, armador norueguês e tripulação multinacional, que nos anos seguintes viraria celebridade negativa na história mundial das pescas, por haver caçado, processado e comercializado, dizem, cerca de 25000 baleias!
O “SIERRA” foi, por ação de uma então recém fundada organização de nome “Green Peace”, proscrito, perseguido sem descanso como “baleeiro pirata” pelos mares do planeta, até que, em 1979, foi finalmente propositalmente abalroado e quase afundado ao largo de Lisboa pelo “Sea Shepherd”, navio preparado e comandado por Paul Watson, um obstinado ativista anti baleeiro disposto a qualquer loucura para vencer, mesmo que isso pudesse custar a vida de toda a tripulação do navio atacado, se fosse o caso. Aliás, ele afirmou que se tivesse de atirar num pescador para salvar uma baleia, fá-lo-ia sem titubear, o que a meu ver faz dele um homicida potencial, antes do herói romântico dos mares.
Na medida em que a população do planeta continua crescendo, por mais que doa aos seguidores e admiradores de Paul Watson, os animais marinhos continuarão sendo caçados para alimentação humana. A diferença, é que os governos da atualidade controlam as águas que dominam territorialmente com regras bem mais rígidas de autorização de captura, de forma a garantir que as espécies não sejam dizimadas. Concomitantemente, garantem esses governos que as espécies típicas de suas águas sejam comercializadas exclusivamente para seu próprio lucro, barrando os pescadores externos, como foi o caso do bacalhau.
Nos dias de hoje, o Green Peace, como restam pouquíssimos baleeiros para infernizar, investe quixotescamente contra outros moinhos de vento. Dedica-se a abordar e atacar plataformas de exploração de petróleo, usando, é claro, potentes embarcações movidas com derivados do petróleo que eles não querem que seja extraído.
Foto: “Mastreação em P&B” por Nelsinho

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