Foto: José Barreto
Sempre ligado às facilidades da modernidade, passei a adquirir as minhas leituras diretamente para o meu “Kindle Fire”. Mas, confesso, em que pese a grande praticidade, o livro de papel conserva a meu ver e sentir, um charme que nenhuma traquitana eletrônica será capaz de superar. Passando a vista pela estante, retirei e dei em reler de forma randômica, passagens escritas pelo meu querido amigo Valdemar Aveiro no ultimo dos seus livros, “Murmúrios do Vento”, em que descreve com paixão sua paixão pelo mar em riquíssimas peripécias de aventura e sacrifício vividas em sua carreira de Capitão dos navios de pesca ao bacalhau nas geladas, inóspitas e perigosas águas da Terra Nova.
Verdadeiras epopeias foram vivenciadas ao longo de décadas por homens rudes de extraordinária resistência e valentia ao ponto de enfrentarem ao longo de muitos meses as agruras extremas da pesca solitária à linha a bordo de seus dóris a remos, sempre sujeitos a serem surpreendidos por súbito mau tempo e se perderem para sempre dos seus navios. Depois, vinham as longas horas de processamento de todo o pescado, as condições precárias, a pungente saudade dos seus queridos…
Ao Capitão, a capacidade de aglutinar na sua pessoa a doçura para confortar, a personalidade fortíssima para disciplinar, o profundo conhecimento para navegar, o misto de sapiência, atrevimento e sorte na liderança da faina de forma a carregar seu navio com o precioso pescado, garantia da sobrevivência de inúmeras bocas. A minha admiração por esses homens vem de muito pouca idade, quando frequentava a Escola Industrial e descia ao rio Douro para tentar ir a bordo dos navios em preparação para zarpar.
Ver Link https://mukandasdonelsinho.wordpress.com/2011/06/18/lugre/
Ao Capitão Aveiro, grande marinheiro e escritor, o meu respeito e agradecimento pela amizade.


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