“Se um animal tem de ser abatido para me alimentar, eu não me alimento”. A afirmação, de um colega de trabalho, é autêntica e sincera. O fulano não come mesmo um grama de nada de origem animal. Mas entope-se de vegetais fritos, empanados ou não, principalmente bananas. É gordo, tem todos os colesteróis alterados e a glicose elevada em razão da ingestão de todo o tipo de doces aos quais é incapaz de resistir.
Acabei de ler uma peça que deveria deixar-me extremamente enojado e sem condições de comer carne de qualquer tipo de animal, especialmente carne bovina moída para hamburger. Ora, eu simplesmente detesto hamburgers, carne moída em geral e MacDonalds em particular, que não me descem pela garganta de jeito nenhum, além de comer carne vermelha muito raramente. O livro, intitulado “De Gados e Homens”, escrito por Ana Paula Maia, de quem nunca ouvira qualquer referência, inferniza a consciência e o estômago de quem gosta e consome picanhas, alcatras e cupins. E faz isso, levando-o aos corredores da morte de estranho e pavoroso abatedouro algures na selva, que usa métodos selvagens aplicados por selvagens sanguinários e homicidas. Nessa espécie de Serra Pelada do abate, o executor faz o sinal da cruz e encomenda a alma do animal antes de desferir uma marretada na sua cabeça. Leitura boa para ativistas vegetarianos.
Há uns três meses, descobri-me diabético e cheio de problemas cardíacos. Muito acima do peso, reconheci ter de enfrentar uma mudança radical nos meus hábitos alimentares de formiga. Aboli o açúcar, reduzi ainda mais o sal, passei a comer apenas um pãozinho migalha por migalha no café da manhã, a entupir-me de legumes, frutas e quejandos, arroz integral e tubérculos em doses reduzidíssimas. Como animal de presa, alimento-me com alguma carne de aves e peixes e ocasionalmente, um pouco de carne vermelha estufada ou grelhada. Perdi 15kgs, a barriga e o estômago desapareceram, os problemas hepáticos se foram, a glicose caiu a níveis quase normais, colesteróis mais que aceitáveis. Espero, com todo este esforço dietético, lograr alguma sobrevida…
Nota: Ana Paula Maia é autora de cinco romances
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