Durante algum tempo, perguntava-me o que poderia ser chamado de “Cult” nas artes do cinematógrafo, sem que todavia me decidisse a procurar uma explicação. Penso que eu queria mesmo era descobrir por mim próprio e o fiz comprando três títulos que achei na estante “Cult films” na falecida “Borders” da “Galleria” de Houston. “Pronto: Cult movie é um filme pornográfico metido a besta!”, sentenciei. Como sou pouco dado a julgar temerariamente, procurei ilustrar-me o mais que pude sobre esse tema mas as explanações wikipédicas são “cult” e me confundem…deixa pra lá – afinal, tenho o desconto devido a quem está prestes a dobrar o portal dos setenta.
Solitário, sentindo a falta da minha mais-que-tudo, perambulava eu pelas Americanas de olhar perdido nos milhares de títulos em saldo, quando me deparei com “O último tango em Paris” por 9 míseras pratas! Em alguns minutos, passaram-me pela mente trinta e nove curtos anos de tumultuadas recordações. Senti aquela mesma sensação de desconforto experimentado ao lado da minha então jovem companheirinha enquanto o personagem manteigava a bundinha da atriz! Recordei-me observando, à saída do cinema, a mediocridade sorridente em torno de mim, o semblante de todos aqueles ridículos papalvos acreditando que haviam acabado de ser “revolucionários” porque foram espectadores de um filme “ousado”, podado pelos censores da destronada Ordem…
Acordei do meu estupor, fui ao caixa e paguei as nove estalecas. Em casa, o moderníssimo aparelho não quis saber de ler aquela bolacha jurássica e acabei rodando o filme aqui em Macaé no meu DVD player do século passado. Confirmando tudo que tinha gravado na memória, elevo, pesaroso, um pensamento à pobre Maria Schneider que, escorraçada e apedrejada pelo populacho e completamente marginalizada como atriz, viveu ainda o suficiente para ver mulheres como Chloe Sevigny em demorada cena ultra explícita de sexo oral em “Brown Bunny” (um dos tais Cult que comprei em Houston) e sobreviver incólume e vitoriosa até hoje, em sua carreira de atriz de cinema e televisão. “O Ultimo Tango” é hoje um filme para meninos de coro.
Fechado. O filme …eu acho isso..Há uma direção vigorosa, a música de Barbieri. Mas nada que pagasse a pena do desconcerto que foi a criação deste filme.
Maria nunca mais foi a mesma..Parece qu disse isso algum dia. E perdida daqui ali matou-se…Mas antes queixou-se de Brando. A cena parece que foi ao vivo….Terror p ela. Imagino.O Brando nada brando.
O mesmo penso eu. Abração!
Grande abraço, Rose! Obrigado por me dar atenção!
Eu é agradeço este texto. Lúcido.