O chão estava muito frio, todo o meu lado direito incluindo a cabeça, doíam como se tivesse sido atingido por…sei lá…alguma coisa contundente. Eu gemia e levei tempo a realizar que estava ao lado da minha cama. Sim, eu caíra da cama sobre a cerâmica do piso, porque não tenho uns míseros tapetes no greenhouse que estupidamente aluguei em Macaé. Ainda no chão,tateei sobre a cadeira que serve de mesinha, porque o quarto só tem uma unica do lado de bombordo e eu prefiro deitar do lado de boreste, onde não tem espaço para outra. Encontrei o Blackberry e constatei: Três da matina!!! Escalei a cama para ajudar-me a ficar em pé e depois coxeei penosamente em direção ao banheiro. Até o dobrar-me para levantar a tampa do sanitário exigiu um esforço danado acompanhado de gemidos e doces palavras. Tentei pôr minhas ideias em sintonia com a realidade, até para não errar o alvo, e tratar de fazer um ponto da situação: a) Ipso facto – Eu caí da cama durante o sono ; b) Tal incidente, que me lembre, jamais havia acontecido em toda a minha vida; c) As áreas amassadas do meu corpo doíam mas nada indicava algum “componente” quebrado.
Voltei para a cama com um sorriso amarelo de vergonha, porque o meu outro eu ria abertamente na minha cara pelo insólito. O filho-da-puta encarnava em mim como se nada tivesse a ver com o acontecido! Deitei de ventre pro ar e logo, instintivamente, me afastei do “precipício” em direção ao meio da cama. Gato escaldado de água fria tem medo e eu sentia-me dorido demais para assumir o risco de um repeteco. Surpreendi-me por me surpreender sem auto confiança: Afinal, pensei, se os meus sistemas deixaram que eu despencasse enquanto dormia, essa porra vai acontecer de novo, ou não acreditasse eu nas teorias do Murphy. Engoli em seco: Estaria eu, velho guerreiro, me cagando de medo do escuro e de cair da cama?!…
O meu sono foi-se e, pela primeira vez pós tombo-da-cama-abaixo, eu pensei nela. A minha companheirinha de cinquenta anos (ou quase) por certo que dormia naquele momento um soninho bom e descansado sem a perturbação do meu ressonar. Imaginei acordá-la, ela ensonada e aflita atendendo o telefone lá na casinha em Niteroi e eu chorando: “Eu caí da caaaaaaama!…snif…!”. Acabei por rir imaginando a reação dela e dos tapas que eu iria tomar. Concluí que, velho quase-setentão, gosto de chegar nela dando uma de criança. Acho que envelheci mas não fiquei adulto. De repente ocorre-me: Se a minha amada estivesse comigo, eu estaria agarrado a ela e não teria caído!…
Oooops! Sobrou pra ela a causa do meu despenque!…
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