Alguns posts atrás eu fiz referência a um caixote cheio de livros doados por um amigo da família no início dos anos 60. Entre os muitos volumes, encontrava-se o must da época em literatura erótica: “O Amante de Lady Chatterlay” que, como é óbvio, se destinava exclusivamente ao meu pai. É extraordinário que, decorrido mais de meio século, eu tenha tão presente a suprema excitação que me tomava as entranhas enquanto devorava e saboreava sílaba a sílaba, frase a frase, capítulo a capítulo, montando minuciosamente na imaginação cada uma daquelas cenas tão poderosamente carregadas de conteúdo puramente sexual! Esmagado pela avalanche hormonal e pela adrenalina da leitura proibida, todo o meu jovem ser entrava numa espécie de transe de explosivo desejo que, invariavelmente, terminava nas garras de Onan.
Não voltei a ler a obra de DH Lawrence na minha fase adulta mas, depois da recente leitura de “Fifty Shades of Grey”, passei a desenvolver um crescente desejo (ou será necessidade ?) de adquirir o volume. Tenho por certa a tese de que o motivo de tal interesse é o da comparação e das conclusões que disso poderei extrair. Fifty Shades é, a meu ver, francamente ruim, repetitivo, cheio de clichés, pejado de lugares comuns e conceitos idiotas que tomam o leitor por idiota. A todo o momento a protagonista se refere à sua “inner goddess” que aparece para propocionar-lhe porres hormonais com ininterruptas cadeias de orgasmos que só me davam para rir e mais nadica de nada!! A minha (broxada) reação pode ter tudo a ver com a minha realidade quasi-septuagenária mas, ainda assim, busco auto convencer-me que não: que é só porque o Fifty Shades é uma bosta mal escrita e que tudo será diferente se envolto nas irresistíveis narrativas de mestre Lawrence nas mil e uma peripécias de como a doce Constance Chatterley entregava doida e apaixonadamente sua Lady Jane às delícias íntimas proporcionadas por John Thomas, o brinquedo do rude e vulgar caseiro, que a transportava às mais longínquas galáxias…
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