—Ah!…Que pedaço d’asno tu és, meu caro! —Exclama o meu outro eu. —O que te fará dissimular e tentar encobrir a realidade de que é tempo de tomares o curto tempo que te resta, só para ti?!…
Sim, as nossas altercações de sempre voltaram a ser muito mais frequentes, após um razoável período de convivência um nadinha menos agreste. Agora, ele volta a infernizar-me, aproveitando-se das minhas fragilidades momentâneas (?!) de velho e pesado Condor com dor em tudo quanto é osso e órgão do meu corpo suplicante.
— Mas suplicante pelo quê? —Vocifera ele com voz esganiçada. —Se o teu ideal for continuar a trabalhar dessa forma insana até que a morte te surpreenda sem teres conseguido os teus outros objetivos pessoais que tão caros dizes serem, não há nada para suplicar a não ser por uma providencial bota que te dê de uma vez um bico no trazeiro!
O pior é que esse idiota, minha contrapartida, parece estar lentamente desequilibrando as forças para o lado dele. Foram muitas as vezes que hoje adentrei os urinóis da vida. Desde a primeira dessas vezes, detive-me contemplativo nos espelhos enquanto lavava minhas mãos; Juraria que nesta ultima eu estava muito mais envelhecido e descrente de todas as minhas teimosas certezas…
Deixe sua opinião